Welder pode ser considerado um garoto comum, meio problemático e revoltado com algumas situações da vida, com problemas em casa - principalmente com a madrasta insuportável - que vive uma vida comum num dia-a-dia comum. Seu passado, no entanto, não tem nada disso. Há mais do que um acidente causador de horrendas perdas em sua família (a mãe e o irmão gêmeo morreram quando o hospital em que ele nasceu desabou); há mais do que a simples vivência num mundo normal. Welder não tem nada de comum, basicamente, e é isso que torna a história tão legal!
O livro já começa frenético, com Welder sendo perseguido por deus sabe lá quem, mas alguém que quer matá-lo - e parece bastante empenhado em fazer isso! Salvo por um estranho desconhecido, Welder vem a descobrir que ele não é humano, que pertence a um mundo diferente e mágico e que está na hora de finalmente conhecê-lo e entendê-lo. Afinal, a perseguição não foi a toa. Welder está em perigo! Ele é herdeiro de uma poderosa linhagem em Arcádya, mundo ao qual verdadeiramente pertence, e tal poder é alvo de desejo de um mal que se levanta.
"Embora não tivesse entendido metade do que o velho acabara de dizer, Welder acabou atraído apenas pelas últimas palavras: seus poderes ultrapassam tudo que você pensa que sabe."
Ok, eu vou parar de falar muito do plot por aqui porque senão a graça se perde e alguns mindfucks (bem legais, em relação a esse livro!) são esperados.
Welder Thompson tem toda aquela vibe de história de aventura/fantasia/ação que bons fãs de Percy Jackson, Harry Potter e As Crônicas de Narnia podem querer. O desenvolvimento do mundo mágico aos olhos do protagonista foi bem feito pelo autor e eu adorei conhecer Arcádya junto ao Welder. É o tipo de universo cheio de criaturas fantásticas, monstros horrendos e magias antigas que eu gostaria de poder visitar algum dia. Principalmente em relação à magia! Eu adorei o poder do Welder, e as cenas de treinamento envolvendo essa arte foram as minhas favoritas. Me lembrou de Avatar (o desenho, NÃO OS CARAS AZUIS!) e do Aang carequinha lindo dobrando o ar. Sim, eu talvez tenha spoilado o poder maneiro do livro, ops.
"Quando a muralha foi atingida, houve um admirável estrondo que reverberou em vibrações por todo o solo. Com tal impacto, o paredão se despedaçou, dispersando para o ar vários destroços de pedra e espargindo uma lufada de vento e poeira."
Uma coisa que me incomodou no livro, mas não atrapalhou a leitura, foram alguns detalhes na narrativa do Jeferson. Não gostei das palavras rebuscadas que ele usava de vez em quando; alguns trechos soavam meio errados exatamente pelo uso delas. Com a narrativa simples igual o livro tem, algo mais humorístico poderia ter sido usado, uma pegada mais Rick Riordan da vida? Acho que é algo a ser trabalhado com o tempo, mas um detalhe que eu gostaria de ver evoluir. Fora isso, a simplicidade e rapidez da leitura ajudaram a história a fluir muito bem, e eu gostei principalmente do arco final da trama (AQUELA BATALHA, I MEAN, COME ON!).
Eu também queria ter visto mais da personalidade dos personagens ser desenvolvida. Vocês sabem que eu sou maníaca por personagens profundos e com emoções bem detalhadas; talvez por ser uma história mais rápida, baseada na ação, isso tenha soado superficial pra mim, mas eu ADORARIA ver mais do Pestana e do Tommy, por exemplo, que foram meus personagens favoritos. Tommy, aliás, cute-cute da vida, let me love you!
O Welder não foi um personagem que me conquistou - exatamente por essa superficialidade de sentimentos. Achei ele muito brusco em relação a tudo, e não consegui me conectar muito com seus dramas e desesperos. Tommy foi muito mais querido.
Eu queria MUITO falar sobre a treta envolvendo o final do livro, mas dai é o mindfcuk que vocês perdem e não posso estragar isso. Até porque foi uma baita revelação bombástica!
Indico essa leitura para quem gosta de uma aventura rápida e divertida por um mundo mágico fascinante!