Nessa segunda aventura da incrível série Perry Rhodan (que já tem mais de 3.000 episódios publicados!), travamos contato com uma das delícias da ficção científica, que é imaginar como seria dispor de máquinas fabulosas, tais como um aparelho hipnótico que faz as pessoas obedecerem a qualquer comando, ou outro que anula a ação da gravidade.
De quebra, Perry Rhodan confirma sua vocação de herói da Nova Era, ao abdicar de sua condição de major da força aérea dos Estados Unidos para se tornar o primeiro “terrano”: um cidadão do planeta Terra.
O segundo volume da série foi escrito por Clark Darlton, pseudônimo do escritor alemão Walter Ernsting. Esse pseudônimo tem uma origem interessante: em 1955, Ernsting escreveu sua primeira novela de FC, “UFO no Céu Noturno”. Contudo a editora Pabet, que publicava obras de ficção científica, tinha por norma rejeitar autores alemães. Assim, Ernsting se valeu de uma fraude para conseguir ser publicado: vendeu o livro como a tradução de um certo Clark Darlton, autor britânico. Dois anos mais tarde, “UFO no Céu Noturno” recebeu o prêmio Hugo alemão.
E a partir de 1961 Clark Darlton se tornou a segunda grande mente por trás da colossal série Perry Rhodan, junto com o idealizador K. H. Scheer. Seguem dois trechos de sua verve:
“Aos poucos, Crest compreendeu as conseqüências que sua presença na Terra desencadeara entre os homens, embora estes nem tivessem conhecimento dele. Com um ar pensativo e preocupado, disse:
— Rhodan, não compreendo como seu povo consegue resistir a esta tensão psicológica. Pelo que você diz há decênios que seu mundo vive sob esta atmosfera de suspense. Basta que alguém aperte um botão para que a destruição seja lançada sobre a Terra. Por que não houve, ainda, quem se erguesse contra este estado de coisas? Por que não se formou um governo comum que reunisse todos os arsenais para usá-los na defesa contra o possível ataque de um agressor extraterreno?”
“Um sorriso se esboçou no rosto de Rhodan. A insensibilidade aparente, porém, ocultava uma preocupação sincera com o futuro da espécie humana. Sabia que não havia nenhum argumento que pudesse incutir bom senso na mente dos guardiões das ideologias. Só um choque seria capaz de tanto. Estava disposto a aplicar a terapia de choque no mundo.”
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