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    Os Cantos de Maldoror - Poesias, Cartas

    Conde de Lautréamont

    Iluminuras
    2014
    350 páginas
    11h 40m
    ISBN-10: 8573212314
    Português Brasileiro
    4.4
    24 avaliações
    Leram57Lendo21Querem221Relendo0Abandonos2Resenhas5
    Favoritos8Desejados221Avaliaram24

    "Há os que escrevem me busca de aplausos humanos, por meio de nobres qualidades do coração que a imaginação inventa ou que talvez possuam. Quanto a mim, sirvo-me do meu génio para descrever as delícias da crueldade! Delícias nem passageiras nem artificiais, mas que, tendo começado com o homem, só com ele terminarão. Não pode o génio aliar-se à crueldade nos secretos desígnios da Providência? Ou não poderá ter génio quem é cruel? Encontrar-se-á prova disso nas minhas palavras; tereis apenas de me escutar, se a tal vos quiserde dignar... Perdão, parecia-me que os meus cabelos se punham em pé; mas não tem importância, pois, com a mão, consegui facilmente voltar a pô-los na posição inicial. Aquele que canta não pretende que as suas cavatinas sejam matéria desconhecida; pelo contrário, Orgulha-se de que os pensamentos altivos e perversos do seu herói existam em todos os homens." Lautréamont, depois de morrer desconhecido aos 24 anos, em 1870, e de sua obra esperar dezessete anos para ter os primeiros leitores, tornou-se um mito, pela extraordinária ousadia e criatividade de seu texto, um exercício radical de liberdade de criação. Hoje multiplicam-se as edições de Os Cantos de Maldoror e da obra completa de Isidore Ducasse, celebrizado sob o pseudônimo de Conde de Lautréamont. Sua bibliografia é gigantesca, situando-o entre os escritores mais estudados e discutidos da atualidade. Ignorou a modernidade e apontou caminhos para o surrealismo e as vanguardas do século XX. Provocou fascinação e espanto em autores tão diversos como Breton, Malraux, Gide, Neruda e Ungaretti. É reconhecido como poderoso inventor, expoente dos inovadores, transgressores e poetas malditos, assim como o foram William Blake, Baudelaire, Rimbaud e Jarry. O poeta Cláudio Willer, que já havia publicado sua tradução de Os Cantos de Maldoror, preparou esta edição completa de Lautréamont. Incluiu comentários, notas e um substancioso prefácio, onde enfrenta obscuridades, vencendo o desafio da interpretação do texto e os mistérios decorrentes da ausência de biografia. Mostra como os Cantos e Poesias são uma escrita do avesso, abissal e perversa, regida pela lógica da metamorfose, pois nela cada termo contém seu oposto e cada coisa implica seu contrário, aquilo que não é. Repleta de paradoxos representa a consagração do pensamento analógico, oposto a razão dualista. Satírica e paródica, pelo modo como se apropria de outros autores, adulterando-os e invertendo-lhes o sentido, seu caráter monumental deve-se à coerência, aliada à imaginação desenfreada e transbordante. Da concepção geral, passando pelos relatos e reflexões, até o estranho vocabulário e as figuras exageradas de retórica, tudo, em seus detalhes, obedece à lógica do delírio e da negação. Por isso, não é apenas reflexão crítica sobre a literatura, mas rebelião extrema contra a sociedade e o mundo.

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    Resenhas (5)Ver mais
    Clorofórmio picture
    Clorofórmio15/09/2024Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Bom, muito bom, grotescamente bom. Perfeitamente grotesco.

    Os Cantos de Maldoror são um manifesto a favor da literatura, recheados de alguns dos mais absurdos trechos já escritos na história da literatura. Leia se você tiver estômago forte e não se importar com o humor mais sórdido já escrito.

    2 curtidas

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    Avaliações

    4.4 / 24
    • 5 estrelas54%
    • 4 estrelas25%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas4%
    • 1 estrelas0%
    Isidore Lucien Ducasse profile picture

    Isidore Lucien Ducasse

    Isidore Lucien Ducasse (Montevideu, Uruguai, 4 de Abril de 1846 - Paris, França, 24 de Novembro de 1870) foi um poeta uruguaio que viveu na França, mais conhecido pelo pseudónimo literário de "Conde de Lautréamont", considerado um precursor do Surrealismo. O seu poema Les Chants de Maldoror– ("Os Cantos de Maldoror", em português), constituído de sessenta estrofes, é considerado uma obra seminal no campo da literatura fantástica, ainda que hoje escape a qualquer classificação.<BR> <BR>Os críticos e o público, em geral, dividem-se quanto à classificação desta obra. Para alguns, foi um gênio da literatura universal – André Breton considerava-o uma "revelação total que parece exceder as possibilidades humanas" e o considerou um precursor do Surrealismo; Léon Bloy, por seu lado, dava-o por louco, "uma ruína humana completa". Contudo, o autor foi-se transformando numa referência principalmente para intelectuais apreciadores do género mais subversivo da literatura, tornando-se um autor de culto.

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    Montevideu, Uruguai

    Isidore Lucien Ducasse