A primeira vista é inegável a semelhana entre Os Trabalhadores do Mar e a obra posterior de Hemingway, O Velho e o Mar. Contudo, é a obra de Cervantes que me veio a mente durante a leitura. Gilliat é a figura galante, não por ser garboso, mas por atirar-se numa empreitada similarmente impossível: o resgate do motor de um navio naufragado nos rochedos de Guernesey. Por semanas, ele se lança nesse trabalho perigoso com o intuito de se provar digno do amor de Deruchette. O período de exílio do autor nessa região se traduziu no esforço descritivo, um dos pontos fortes de Victor Hugo, que parece salgar as páginas e enregelar os dedos da mesma forma que acontece com o personagem. Passo a passo, todos os entraves são superados e o que resta é a abnegação de Gilliat, similar a de um cavaleiro romântico em seu final. Mais quixotesco impossível. Recomendo.









