Vazio absoluto?
Peguei esse livro sem pensar direito, só o vi na estante da biblioteca e peguei, achei que seria interessante. E foi. Foi também minha primeira leitura sobre Nietzsche, acredito que da melhor forma possível, pois é em formato de história em quadrinhos. Apaziguou um pouco toda a carga filosófica do filósofo que me parece um paradoxo entre pessimismo e esperança. O livro mostra sua biografia, os desenhos mostram algo a mais entre as falas dos personagens. Eram nos momentos em que as imagens mostravam ele sem camisa, acordando de um pesadelo, que eu percebia a humanidade que o atormentava. Ele mostrava, em vários momentos, querer igualdade em suas relações e entre as pessoas. Mostrou também uma visão sobre o trabalho, colocando este como um carcereiro dos nossos sonhos por tomar todo o nosso tempo e nos fornecer segurança (ilusória), e então perdemos a capacidade de sonhar ou ser livres. Uma de suas frases neste assunto foi "Quanto menos você possui, menos é possuído" (uma boa reflexão que comecei a me fazer) Nietzsche se perguntava qual dose de verdade o homem pode suportar. Então pensei nas relações sociais que temos com as pessoas ao nosso redor. Será que somos capazes de ouvir as verdades que cada um tem para contar? Será que as expectativas criadas sobre as pessoas que não conhecemos direito (ou até das que conhecemos) podem nos ferir tanto quando são desconstruídas? Quando a verdade é mostrada? Outro ponto muito interessante, e que eu já tinha lido em uma reportagem, foi sobre o Princípio do Eterno Retorno. Esse princípio faz uma pergunta meio angustiante: Como você viveria se soube que, por toda a eternidade, você teria que viver a mesma vida? Começaria a fazer as coisas que sempre quis a partir de agora? Correria atrás de seus sonhos? Ou permaneceria fazendo o que sempre fez? (mais uma reflexão). Nietzsche diz que não a nada mais que possamos fazer para viver melhor do que viver da melhor maneira possível. Isso porque ninguém pode viver por nós. Claro que isso tudo é apenas uma visão inicial minha sobre o que eu acabei de ler. Creio que foi um bom começo porque ainda sim senti o peso da filosofia de Nietzsche. é preciso estar preparado para essa leitura porque lida com paradigmas que, muitas vezes, estão solidificados em nós. Agora é me preparar para ler Assim falou Zaratustra, que segundo Nietzsche é um livro para todos e para ninguém.

