"In the stories of old, a hero is the one who sweeps in with drawn sword and noble face, to kill the dragon and free the princess. In the stories of old it never seems to dawn on the princess that she should be careful not to put herself at the mercy of those who would do her ill the first place.
I don't live in the stories of old."
Nem sei como começar essa resenha, conheci esse livro a alguns meses atrás e coloquei ele na meta de agosto. Estava muito ansiosa para ler pois a sinopse me chamou muita atenção e os elementos da história me lembrou de um livro que todos comentam mas que ainda não tive vontade de ler, que é estilhaça-me.
Mas The sin eater's daughter é completamente diferente, é implacável, intenso e ouso dizer até um pouco cruel.
O livro conta a história de Twylla, ela tem 17 anos e ela tem um poder. Com um toque ela pode matar as pessoas. Ela mora no palácio e seus serviços prestados para com a coroa lhe custam muito alto. Ela mata traidores. Há uma espécie de ritual chamado de "narração", que basicamente ela precisa tomar um veneno misturado com o seu sangue, e depois de tomar esse veneno, ela mata os prisioneiros com um único toque. O livro já se inicia em um desses processos em que ela tem de matar dois traidores. Detalhe: ela só mata traidores - ordens da rainha.
E então, ficamos sabendo que ela é uma filha de uma deusa e um deus encarnada, e a sua missão na terra para com o seu povo, é trazer paz e banir os traidores da terra. Alem disso, Twylla está prometida ao príncipe filho da rainha, em casamento.
Vou começar falando um pouco da história sem tentar dar spoiler.
Bom, esse foi um livro bastante complexo, e muito muito fascinante. Uma das coisas que me chamou atenção e que inclusive vim comentando ao longo da leitura aqui no skoob, foi o fato de haver muitas histórias dentro do livro, muitas lendas, fábulas e mitos do povo de Lormere, Tregellian e Tallith, histórias que não sei se foram inventadas pela autora ou se já existem, mas que me fascinaram ler a respeito. A segunda coisa que me chamou atenção foi como as pessoas são fanáticas religiosas aqui, e isso vemos na protagonista logo no começo, e no seu povo. Claro que ela foi levada a crer em algumas coisas e por isso age dessa maneira, e isso não chegou a me incomodar. Mas achei muito interessante. Outro fator é a trama cheia de tramoias, traições, segredos. Nada foi ponderado aqui, tudo foi intenso e ouso dizer que algumas questões me lembraram de Game of thrones.
Sim, esse não é um livrinho água com açúcar romântico que vemos por aí hoje em dia, senhoras e senhores. Esse é um livro que vai nos mostrar muita sujeira na família real e muita opressão dela para com o seu povo. O que é a realidade.
Fica até um pouco difícil saber em quem confiar aqui, e às vezes me sentia perdida nessa questão junto com a protagonista. Por que todos parecem esconder algo.
Claro que há romance, mas não considerei isso o ponto alto do livro, e sim a história por trás da protagonista e todos os segredos que a cercam.
Sobre os personagens, começando a protagonista Twylla, ela é uma garota que sofreu abuso psicológico por parte da Rainha, que é abusada psicologicamente o tempo inteiro pela mesma, ela é oprimida e uma garota solitária e triste. Seu destino era ser uma devoradora de pecados - no livro vai explicar o que é isso - e na família de Twylla, é hereditário, mas por "sorte" ou "azar" do destino, ela é salva desse futuro de devoradora de pecados e se torna a filha dos deuses encarnada, indo para o palácio.
No palácio, ela está sempre sendo evitada pelas pessoas por causa do seu poder, ninguém tem coragem de encostar nela ou chegar perto. Os únicos que podem toca-la sem morrer, é a família real.
Porém, algo acontece no começo do livro e Twylla ganha mais um guarda, chamado Lief, que é um Tregelliano. Uma amizade surge entre os dois, até se transformar em algo maior e mais intenso na trama.
Lief é um personagem que me incomodou bastante no começo, eu sentia que ele escondia alguma coisa (mas isso só é esclarecido no final) então eu não me sentia muito confortável com ele, mas eu o adoro. Ele é um personagem bastante carismático e que trás cor a vida de Twylla.
O Príncipe Merek que é o noivo de Twylla, é um dos personagens que mais me surpreenderam no livro, eu não dava muita coisa por ele, ele é bastante reservado, guarda muito rancor e ódio, mas é bastante submisso as vontades da rainha, e por essa razão, me surpreendi quando ele deixa a comodidade de lado, e resolve tomar uma atitude, você pode até odiar ele no começo por conta do seu jeito arrogante e distante, mas ele ama Twylla e passamos a compreendê-lo ao longo da história.
Mas sem sombra de duvidas a grande "surpresa" desse livro, é a rainha Helewys. Gente, que mulher cruel, malvada mesmo, louca no hard, eu inclusive comparei ela com a Cersei de Game of thrones por conta de algumas questões que nos é apresentadas no livro, mas acho que sem duvidas ela supera a Cersei. A mulher é malvada, sedenta de poder, quer fazer de tudo para mandar e oprimir o povo, e passa por cima de qualquer um para isso. Ela inclusive, coloca o rei no chinelo, e ele sempre abaixa a cabeça para suas vontades. Essa foi uma vilã e tanto. E apesar do ódio que senti dela ao longo do livro. Precisei levantar a aplaudir pela bela vilã que ela foi.
O final me deixou nervosa e ansiosa para o próximo livro, preciso muito saber o que vai acontecer, qual vai ser o futuro das pessoas no segundo livro, e com o cliffhanger desse final, é impossível não pirar pelo próximo. Já estou em busca dele, e vou ler assim que encontrar. Enfim. Nota 5 para essa história e mais um coraçãozinho pela originalidade misturada com algumas referências a outros livros aqui e ali, mas sem ser dependente e mantendo o seu próprio brilho. Para um livro de estreia, essa autora mandou muito bem e estou apaixonada pela escrita dela. Soube que a Rocco já lançou o livro em português, e apesar de ter lido em pdf inglês,eu já vou correr para ler em português novamente esse livro! Então, mais do que indicado, leiam leiam leiam!