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    Contos D'Escárnio / Textos Grotescos -

    Hilda Hilst

    Editora Globo
    2002
    140 páginas
    4h 40m
    ISBN-10: 8525036196
    Português Brasileiro
    4
    424 avaliações
    Leram775Lendo25Querem459Relendo0Abandonos4Resenhas33
    Favoritos50Desejados459Avaliaram424

    Contos D'Escárnio/ Textos Grotescos é o oitavo livro o quarto de prosa de ficção que a Editora Globo põe no mercado para dar continuidade ao projeto de publicação das obras reunidas da escritora Hilda Hilst. Composto em tom de sátira, o livro traz todas as características que marcam a prosa hilstiana: o enredo não guarda qualquer linearidade, às vezes o texto é lírico, outras vezes confirma o grotesco do título, diversos gêneros (desde o teatro até o certame poético) vão se sobrepondo e as personagens alternam momentos de confessionalismo a outros de crítica radical. O alvo de Hilda Hilst é o mercado de livros de pouca qualidade e a celebração do baixo nível que a autora enxerga na cultura brasileira. Ironicamente, afirma que pretende fazer também o seu "lixo". Por esse meio, ainda, a autora identifica que analogamente à festividade em torno do objeto literariamente medíocre está um país envolto em bandalheira e todo tipo de desorganização e permissividade. Crasso, o narrador de nome romano e comportamento chulo, descortina suas lembranças e as envolve em um novelo ao lado de outras micronarrativas. O resultado é uma espécie de pequeno Decamerão em que, no caso, reinam a bandalheira, o mau gosto e o excessivamente medíocre. Com Contos d escárnio/ Textos grotescos, Hilda Hilst surge afiada para criticar, primeiramente, a literatura de baixíssimo nível e, por extensão, a situação de penúria do país que a produz ou comercia vultosamente. fonte: ed. Globo

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    Márcia Yasmin picture
    Márcia Yasmin11/05/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Hilda Hilst sempre arrasa!

    No meio de agosto, eu fui à biblioteca da minha cidade procurar algo novo para ler depois de renovar minha carteirinha – e depois de tanto tempo sem ler os livros de lá. Eu estava atrasada para ir à dentista, tinha apenas alguns minutos, então meus olhos corriam apressadamente por entre as prateleiras da biblioteca municipal. Foi então que vi esse livro da Hilda, e soube exatamente qual seria minha próxima leitura. Acontece que esse não foi meu primeiro contato com a obra hildiana. No semestre passado, conheci Hilda Hilst através da disciplina Introdução aos Estudos Literários I. Eu e meus amigos apresentamos um trabalho no qual falávamos sobre essa impecável mulher. Foi o melhor trabalho da minha vida, aliás, que posso comentar num post mais tarde. Contos d’escárnio/Textos grotescos é uma obra que causa estranhamento quando se começa a ler. Pois trata-se exatamente do que o título fala. A obra é narrada por Crasso, personagem chulo que logo no início da obra faz uma crítica ao mercado de livros de baixa qualidade presente naquela época (a primeira publicação do livro foi em 1990): “Ao longo da minha vida tenho lido tanto lixo que resolvi escrever o meu” . Dessa forma, como objetivo de criticar o modo como nosso país celebra o baixo nível, Hilda cria uma obra baixa, suja e tão medíocre quanto. Crasso narra suas memórias mais grotescas, seguindo em forma de sátira ao mercado que produz “lixo” como único objetivo o lucro. É importante para refletir até onde o capitalismo interfere em nossa cultura – no caso, literária. Merece um post falando somente sobre isso. Mas o que mais impressiona na obra, na minha experiência de leitura, é a forma como é narrada. Descontínua e desconfiguradamente, Hilda escreve uma narrativa que ora é lírica, ora é poesia, ora é carta, ora é teatro. Hilda coloca diversos gêneros literários dentro de um livro só, em que ora as personagens abordam suas confissões baixas, ora fazem críticas. Desse modo, o livro mostra-se importante para quem deseja conhecer o estilo de Hilda. A autora sabe usar e abusar das palavras, sabe explorar gêneros e estilos de escrita. Eu ri muito com as declarações de Crasso e devorei o livro em um dia. Mesmo que o propósito dessa obra seja fazer críticas ácidas, a leitura é leve e prazerosa. Li no trem, rindo e fazendo caras e bocas de surpresa (Crasso fala cada coisa que o tempo inteiro eu ficava no trem com a paranoia de que alguém pudesse estar lendo comigo e pensando “que diabos essa menina tá lendo?”), me divertindo muito. A leitura vale super a pena! 😉

    26 curtidas

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    Hilda de Almeida Prado Hilst

    Uma das mais importantes vozes da de nossa literatura, fundiu a atemporalidade, o real e o imaginário, mergulhando os personagens em busca de significados, raízes, essências da condição humana.

    61 Livros
    740 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Hilda de Almeida Prado Hilst