Dissertação de mestrado publicada, Senhoras do Cajado é uma narrativa incrível sobre a história da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte. Esse livro fantástico revisa a criação do Candomblé e o contexto social no qual as mulheres negras pertencentes à Irmandade da Boa Morte estavam inseridas. Evoluindo com maestria ao longo do avanço da cronologia, o livro traz aspectos curiosos da vida das mulheres que integraram e integram a Irmandade da Boa Morte, fazendo o leitor viajar até a criação da Irmandade da Boa Morte da cidade de São Gonçalo dos Campos.
O sincretismo é tratado pela autora com uma sutileza capaz de fazer perceber o elemento sincrético, mas sem criar um rótulo ou um julgamento sobre essa fusão religiosa que está intrinsecamente ligada a religiosidade católica e de matriz africana, e que foi importante para a preservação da fé ancestral em tempos de intolerância.
A leitura é leve e agradável, o conteúdo histórico é esclarecedor. Conhecer fatos históricos desconhecidos por muitos e revelados no livro chega a criar uma pequena vaidade, uma alegria curiosa e soberba por saber algo tão especial que poucos sabem, como o fato do culto ao padroeiro da cidade de São Gonçalo dos Campos ter sido realizado a um outro santo por anos, até que se foi constatado o equívoco e trazida a imagem do santo correto à Igreja da cidade.
É um livro para quem ama a história, para quem ama a ancestralidade e para quem tem alegria pela fé e pela devoção.
Super indico a todos!