Trópico de Câncer (Biblioteca Folha #8) -

    Henry Miller

    Folha de São Paulo
    2003
    288 páginas
    9h 36m
    ISBN-10: 8574024910
    Português Brasileiro

    Como tantos escritores que emigraram para a Paris dos anos 1920-30, o norte-americano Henry Miller experimentou na capital francesa tudo o que há de bom e de ruim na condição de exilado voluntário: o desenraizamento, a liberdade, o desespero, a vida anárquica e boêmia, a falta de dinheiro. Narrado em primeira pessoa, Trópico de Câncer (1934) é o resultado literário dessa experiência, um confronto direto entre o vigoroso individualismo de Miller e o mundo caótico e ameaçador do entreguerras. Sem obedecer a uma seqüência linear, o romance se estende pelos bulevares da cidade, entra em suas pensões baratas, se embebeda nos cafés ordinários, convive com uma multidão de artistas e intelectuais igualmente desenraizados e sem dinheiro, dorme com prostitutas e mulheres solitárias. O ritmo é do relato rápido, ansioso, de quem quer chegar à medula das coisas. Tendo sido acusado de pornográfico e obsceno quando foi lançado, o livro de Henry Miller pode hoje ser lido, sem as lentes do preconceito, como um dos mais intensos testemunhos literários de uma geração que mergulhou de cabeça na vertigem do século 20.

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    vanessa ferreira08/05/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Paris como nunca vista antes.

    Meu favorito, de todos os livros que já li. Ao contrário de que muitos pensam, e criticam de maneira errada, trópico de câncer não é de maneira alguma um livro erótico. Eu diria que ele é apenas um livro que tentou mostrar a realidade, não só da Paris dos anos 30 tão idealizada por muitos, mas como a própria realidade de Miller, um pouco mistificada em seus livros. Vai da prosa caótica e violenta, vulgar e sensacionalista, á poesia, doce e carregada de esperança e de determinação de um grande escritor, que talvez não soubesse que rumos sua obra tomaria, ou que soubesse sim de como ela seria bem maior do que suas críticas e influênciaria toda uma geração. Aliás, prá quê falar do livro se o próprio Miller já faz isso logo na primeira página com essa definição: "Isto não é um livro. Isto é injúria, calúnia, difamação de caráter. Isto não é um livro, no sentido comum da palavra. Não, isto é um prolongado insulto. uma cusparada na cara da Arte, um pontapé no traseiro de Deus, do homem, do destino, do tempo, do amor, da beleza...e do mais quiserem."

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