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    Pagu - vida e obra

    Augusto de Campos

    Companhia das Letras
    2014
    472 páginas
    15h 44m
    ISBN-13: 9788535924855
    Português Brasileiro
    4
    66 avaliações
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    Um livro essencial sobre a escritora, musa antropofágica, ativista cultural e militante política Patrícia Galvão, a Pagu, figura de proa da vanguarda modernista no Brasil. Em 1982, quando Pagu: vida-obra foi lançado pela editora Brasiliense, quase nada se sabia sobre essa importante personagem do modernismo no Brasil. Além das fotografias que documentavam sua estonteante beleza e da aura de escândalo proporcionada pela participação na ruidosa "segunda dentição" do movimento antropofágico (amplificada por seu tumultuado relacionamento com Oswald de Andrade), pouca coisa restava de Pagu. Seus artigos na imprensa estavam dispersos em jornais extintos; seus livros, ainda inéditos ou já esgotados; a história de sua militância política, apagada. No entanto, o poeta e estudioso da história do modernismo Augusto de Campos surpreendeu os meios literários ao realizar nesta antologia sui generis o mais completo e ambicioso resgate da produção artística, literária e jornalística da autora de Parque industrial. Desde seu lançamento uma referência incontornável sobre Pagu, e há muito esgotado, o livro ressurge em edição revista e ampliada, que inclui novos textos, dezenas de ilustrações e fotografias. Este "biolivro", como o define Campos, abarca os momentos mais importantes da trajetória de Patrícia, uma vida-obra repleta de acontecimentos e trabalhos memoráveis. O alistamento nas fileiras da vanguarda modernista, o curto casamento com Oswald, a viagem ao redor do mundo em 1933, a militância comunista e os anos de cadeia servem de prólogo à segunda parte da vida-obra de Pagu, a partir dos anos 1940, marcada por uma intensa colaboração com jornais e pela atuação teatral, sempre em prol das vanguardas. O retrato multifacetado da figura que emerge deste roteiro biobibliográfico permite incluí-la em pé de igualdade numa seleta galeria de mulheres do alto modernismo mundial.

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    R14/12/2014Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Pagu, além de musa.

    Hoje vim falar do livro Pagu: vida-obra, a biografia de Patrícia Galvão feita pelo poeta Augusto de Campos. Mais conhecida como Pagu, ela foi a mais polêmica mulher do modernismo brasileiro e sofreu um repúdio muito grande da sociedade, por suas visões esquerdistas e sua postura moderna para a época em relação a comportamento, sexualidade e expressão de moda. Ela seria considerada moderna mesmo agora, quase cem anos depois! Ela só possuía 11 anos quando a Semana de Arte Moderna (1922) aconteceu, mas aos 18 anos já estava envolvida com o grupo da primeira geração do modernismo e aproximou-se bastante de Tarsila do Amaral, quem admirava muito, e Oswald de Andrade. Ela viveu esse período de efervescência artística e chegou a participar da revista modernista do Movimento antropófago. Aos 19 anos, acabou se casando com Oswald de Andrade. Ambos realizaram o pasquim O homem do povo, jornal polêmico que foi fechado em poucas semanas. Em seguida, Pagu envolveu-se com o Partido Comunista e é presa diversas vezes. No total, Patrícia é presa 22 vezes por motivos políticos. Também se desilude com a política e busca se tornar crítica literária a favor de uma literatura que dê liberdade ao artista, sem precisar se tornar propaganda partidária ou ideológica. Revolucionária modernista, Pagu se revolta com o conformismo e o apaziguamento do fervor revolucionário da primeira geração modernista, que se acalmou mesmo nos poetas que participaram dessa geração e faz críticas rígidas a esses grandes poetas brasileiros em revistas da época. A biografia feita pelo poeta Augusto de Campos é muito interessante e inovadora porque não contém apenas fatos de sua vida e fotografias, mas um “caleidoscópio bibliográfico”, ou seja, um compêndio de artigos a respeito da artista, críticas dela e sobre ela, além de trechos de toda a sua produção artística e literária, para que o leitor possa reviver a figura de Pagu e prestar mais atenção em sua obra tão apagada pela atenção dada à sua figura polêmica. Destaque para o trecho de seus dois romances: Parque Industrial (1932) e A Famosa Revista (1945). Além disso, é inovadora a biografia feita por um poeta, porque contém até um resumo de sua vida escrito poeticamente. Pagu: vida-obra porque, afinal, a própria vida de Patrícia Galvão, chamada de “musa do modernismo brasileiro” foi vivida artisticamente. Sua vida se confunde com sua obra e sua obra, com a vida. Campos, Augusto de. (1982) Pagu: vida-obra. Companhia das Letras: São Paulo, 2014. pp.472.

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