No livro "A Revolução Gramscista no Ocidente", Sérgio Augusto de Avelar Coutinho analisa a influência do pensamento de Antônio Gramsci sobre a cultura e a política ocidental. As ideias do italiano Gramsci, reunidas nos Cadernos do Cárcere, escritos durante sua prisão no governo de Mussolini, foram adaptadas e aplicadas no Ocidente. Gramsci, ao contrário dos seus antecessores comunistas, pretendeu fazer uso de métodos mais sutis e eficazes do que o uso de revoluções armadas para disseminar sua ideologia.
Essa disseminação ideológica, uma vez tendo atingido seu grau máximo, caracteriza a hegemonia cultural: a classe dominante mantém o poder pelo uso da força e também através da cultura e da ideologia. A disseminação é atingida por meio de uma "guerra de posições", através da qual instituições e espaços públicos são devidamente "aparelhados" pela máquina revolucionária. A opinião pública não deve ser excluída se se pretende atingir a hegemonia; para isso "intelectuais orgânicos", comprometidos com a causa revolucionária, têm o papel de moldar a opinião pública. Dessa forma, através da infiltração cultural e política, tem-se uma "revolução passiva", sem armas e muito mais daninha para a sociedade atingida.
Para Coutinho, as ideias de Gramsci foram aplicadas com alterações e de um modo neoliberal e progressista, o que levou ao uso das seguintes "técnicas":
- cultura de massas como ferramenta de controle social;
- o politicamente correto impondo uma linguagem e comportamento politicamente corretos;
- relativização dos valores morais;
- desconstrução da identidade nacional e cultural.
Com isso, as nações alvo perdem a identidade cultural e nacional, as sociedades se fragmentam, instala-se um totalitarismo na forma do controle estatal e cultural crescente e finalmente surgem restrições à liberdade de expressão e pensamento.
Este é apenas um resumo. A obra em si contém detalhes e é mais elucidativa.