Este é decididamente o livro mais humano e mais profundo que eu já li. Conta a história da vida de 4 personagens, Thomas, Teresa, Sabina e Franz. Kundera é muito delicado e sensivel ao construir cada um deles, e eles são muito verdadeiros em todas as suas atitudes, pensamentos e principalmente sentimentos. É tão raro a gente ler um livro onde conseguimos nos identificar realmente com algo. Onde a descrição das sensações e contradições das nossas atitudes consegue ser tão real. Quantos livros já lemos em que as relações são fantasiosas, idealistas, exageradas, ou simplesmente falsas. Este livro me encantou de uma forma que nenhum outro jamais chegou perto, em se tratando de relações humanas. Me acertou em cheio, justamente por ser tão sincero. O peso e a leveza são bons e são ruins, os instantes em que ocorrem, um ou outro, determinam se são positivos ou negativos. Faz sentido a leveza ser muitas vezes insustentável. Faz sentido as coisas chegarem ao um limite, e o limite das coisas é algo determinante. Sempre pensei nisso, nos limites e bordas das coisas/ cidades/ sentimentos. São as áreas mais delicadas de todo o resto. Quando ele fala das situações em que os polos opostos se aproximam a ponto de unir seus limites, e a questão se torna de uma leveza insustentavel, não sei como explicar mas isso faz um sentido absurdo para mim.
Achei simplesmente fantástico. Não é um livro que recomendo a todos. Acho que é preciso ter vivido um pouco antes de ler ou não vai ser aproveitado como deveria. E também acho que deve ser lido com muita atenção, calma e tempo, para pensar em cada um dos personagens profundamente, para refletir sobre os relacionamentos em geral. Aos que embarcarem na leitura, aproveitem bem!