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    Pólvora -

    Tico Santa Cruz

    Belas-Letras
    2014
    168 páginas
    5h 36m
    ISBN-13: 9788581741567
    Português Brasileiro
    3.5
    239 avaliações
    Leram357Lendo11Querem167Relendo0Abandonos11Resenhas30
    Favoritos14Desejados167Avaliaram239

    A novela policial originalmente publicada na internet com mais de 300 mil leitores. Pólvora é o livro proibido do roqueiro Tico Santa Cruz, definido pelo próprio autor como uma narrativa "psicótica, suja e violenta". Inicialmente escrito em capítulos curtos para postar em seu blog, em poucas semanas virou fenômeno na rede. Uma leitura intensa e chocante sobre terror e caos, hipocrisia e preconceitos, política e serial killers. Mas, acima de tudo, sobre o lado mais sombrio de cada um de nós.

    Resenhas (30)Ver mais
    Vinícius Dias Villar picture
    Vinícius Dias Villar19/04/2021Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Aprovado, mas com ressalvas

    De cara já preciso avisar algo, se você não é lá muito fã de violência explícita e barata, esse livro não é pra você. O negócio aqui é tiro, porrada e bomba! A sensação que eu tenho é a seguinte: Sabe quando algumas coisas negativas acontecem ou quando alguém é muito folgado com você e passa alguns pensamentos odiosos na sua cabeça? Pois bem, na maioria das vezes acabamos isolando esses pensamentos por um conceito de moral e civilidade pré definidos e não permitimos que o sentimento atinja altos níveis de periculosidade. Então, nesse livro é justamente o contrário. O Tico Santa Cruz deixou a mente dele voar longe, com pouco ou nenhum filtro na hora de retratar a boa e velha violência, atingindo, em alguns momentos, picos de sadismo para filme nenhum do Rob Zombie colocar defeito. Ainda trazendo referências para essa estória contada pelo vocalista do Detonautas Roque Clube, diria que tem uma pegada do filme estrelado pelo Michael Douglas, “Dia de Fúria”, de 1993, que nos apresenta um pai de família emocionalmente perturbado reagindo a vários encontros com violência enquanto segue no caminho para a casa de sua ex-mulher com o intuito de comemorar o aniversário de sua filha. Além desse filme, eu adicionaria várias doses de músicas do Matanza. A principal delas pra mim é “Mesa de Saloon”, que aborda a trajetória de um ex presidiário em fuga com sua amada e o rastro de crimes cometidos exatamente no dia em que foi liberado da cadeia. Como eu disse mais acima, é tiro, porrada e bomba! Referências postas, vamos ao livro. Ele é narrado por um cidadão comum que trabalhava em uma instituição financeira e que se apaixonou por uma garota visivelmente abalada com um passado de abusos e explorações. Esse relacionamento evolui para alguns dias de crime, assassinatos (e chacinas), sequestros, perseguições, traições, intrigas, reencontros e desencontros, muito sexo e vários baseados na mente. Inclusive, diria que existem três principais pilares nesse livro: Violência, sexo e maconha. Ou os personagens estão fumando a erva e divagando sobre a vida, ou estão cometendo atos violentos, ou estão transando… em alguns momentos tudo isso está acontecendo ao mesmo tempo. Desde o início você consegue perceber a bola de neve que está se formando com as ações desmedidas e impulsivas tomadas pelos protagonistas, culminando em um final bastante interessante. Apesar de tudo isso posto, acho que faltou um pouco nesse livro. Tiveram algumas pontas soltas que me deixaram na dúvida e que acredito que o autor poderia ter aprofundado um pouco mais. Vale ressaltar que o livro nasceu de maneira muito espontânea dentro de um blog e que foi lido por mais de 300 mil pessoas. Além disso, qualquer um que conheça um pouco sobre o artista sabe que ele tem um viés ideológico mais progressista e sempre faz ótimas pontuações sobre assuntos em voga no momento. Embora ele traga aspectos interessantes sobre hipocrisia de religiosos, corrupção de políticos e pessoas famosas, o papel de abutre de várias redes televisivas, as atuações pífias de alguns policiais militares e a luta de professores estaduais para conseguirem sobreviver em um país que pouco dá valor à educação, eu esperava encontrar mais críticas abertas nessa estória. Veja bem, está tudo lá, mas poderia ter escancarado um pouco mais as vísceras desses vários problemas do nosso país que não faria mal à ninguém. Por fim, e não menos importante, acho que a violência passou um pouco do ponto. Eu gosto de entretenimento nessa linha, mas em alguns momentos tive a sensação que foi demais. Isso me incomodou um pouco e pode ser um ponto de inflexão grande para muitas pessoas. Foi lançado pela Editora Belas Letras em 2014. Encontrei o livro usado pelo site da Estante Virtual, um grande marketplace de sebos e livrarias, e o adquiri por lá. Para quem gosta de violência, é um prato cheio. Apesar de algumas críticas postas, eu me diverti e achei que o Tico se saiu muito bem nesse meio de publicação. Espero que continue nos brindando com histórias tão loucas quanto essa! Aprovado, mas com ressalvas!

    5 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.5 / 239
    • 5 estrelas21%
    • 4 estrelas27%
    • 3 estrelas31%
    • 2 estrelas16%
    • 1 estrelas5%
    Luis Guilherme Brunetta Fontenelle de Araújo  profile picture

    Luis Guilherme Brunetta Fontenelle de Araújo

    Nascido no Rio de janeiro em 30 de setembro de 1977 sob o signo de libra. Cursou Ciências Sociais na UFRJ, Comunicação e Ed. Física não tendo concluído nenhuma das três cadeiras por conta de sua dedicação total ao DRC. Compositor, escritor e poeta criou o grupo de performance social chamado "Voluntários da pátria" que leva música, debates e cultura para escolas e penitenciárias de todo o Brasil.

    5 Livros
    79 Seguidores
    Rio de janeiro, Brasil

    Luis Guilherme Brunetta Fontenelle de Araújo