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    As fantasias eletivas -

    Carlos Henrique Schroeder

    Record
    2014
    112 páginas
    3h 44m
    ISBN-13: 9788501041142
    Português Brasileiro
    3.7
    546 avaliações
    Leram940Lendo84Querem759Relendo2Abandonos3Resenhas24
    Favoritos36Desejados759Avaliaram546

    Na turística Balneário Camboriú, Renê, um recepcionista noturno de hotel, tenta reconstruir sua vida e encontra na amizade de Copi, um travesti obcecado por fotografias, uma alternativa para sua vida destruída. Renê lerá o que Copi escreve e será o único que terá acesso a suas fotos de surpreendente beleza. É quando um livro se abre dentro do livro, e tudo se torna um grande ensaio da alma humana. As fantasias eletivas une prosa, poesia e fotografia para refletir sobre a solidão e a criação literária, e mostra como a literatura, a de verdade, é sobretudo feita de sangue.

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    INGRID MAYARA ALLEBRANDT20/05/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Personagem travesti que "rouba a cena"

    Carlos Henrique Schroeder é um dos nomes que produz literatura em nossa contemporaneidade. Nascido em Santa Catarina na década de 70, iniciou sua produção literária em 1998 com o romance "O publicitário do diabo". Em 2010, recebeu o Prêmio Clarice Lispector de Literatura, como melhor livro de contos do ano: "As certezas e as Palavras" (está disponível gratuitamente em PDF no site do autor - ainda não o li). O autor continuou sua carreira literária com outras obras e em 2014 publicou As Fantasias Eletivas, livro que entrou para a lista de leituras obrigatórias da ACAFE e da UFSC-2018. Esse livro começa contando a história de Renê, um recepcionista de hotel. A obra é narrada em terceira pessoa por um narrador onisciente. Não há linearidade na história, com predominância do tempo psicológico, há também uma mistura de discurso direto e indireto, portanto pode-se aos poucos conhecer tanto o cotidiano de Renê quanto alguns de seus pensamentos. O cenário narrativo é o "submundo" da cidade turística Balneário Camboriú-SC, onde Renê conhece Copi, uma travesti prostituta, vinda da Argentina. Copi torna-se, então, o foco da história. Após uma briga entre os dois, inicia-se uma amizade. Ambos vieram de locais distintos em busca de melhores condições de vida e sentem-se deslocados; esse sentimento de não pertencimento é assunto bastante característico da obra. Renê mostra-se preconceituoso desde o início, e vai aos poucos mudando sua perspectiva diante dessa nova amizade, afinal, Copi aparenta ser alguém interessante com quem conversar. Ela fala sobre a superficialidade das relações humanas, da busca em um sentido para o comportamento das pessoas diante da tecnologia e sobre vários outros assuntos que fazem com que a leitura seja subjetiva e desencadeie grandes reflexões. Algo que eu acho interessante dizer sobre esse livro é que há certa intertextualidade com outras obras/autores e a narrativa é fragmentada com poemas e fotografias que enriquecem e dão originalidade à obra, além de haver um livro dentro dele, formado pelos escritos de Copi. No início eu pensei que seria uma obra cheia de estereótipos desnecessários (o autor provavelmente é heterossexual da classe média: já o vi pessoalmente), porém, a subjetividade e complexidade dos personagens me encantaram de tal maneira que, ao terminar a leitura, reli algumas partes e iniciou-se um devaneio no qual o sentimentalismo tomou conta de mim e eu mal consegui pensar em outra coisa nesse dia. Para terminar, ouso dizer também que embora tenha uma personagem travesti que "rouba a cena", no MEU entendimento, esse livro não se trata de ter ou não representatividade, e sim sobre o comportamento humano diante da globalização; se bem que as características da personagem Copi são essenciais. Se fosse para resumir seu sentido em uma palavra, eu diria: solidão (quem já leu vai me entender).

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    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas3%
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    Carlos Henrique Schroeder

    Carlos Henrique Schroeder é romancista, roteirista, crítico literário e editor brasileiro.Estreou na literatura em 1998 com a novela O publicitário do diabo (Manjar de Letras), e de lá para cá lançou quase uma dezena de livros. Em 2009 foi contemplado pelo Edital Elisabete Anderle, do Governo do Estado de Santa Catarina, com recursos para publicar uma antologia de suas peças de teatro. Ainda em 2009, foi um dos escritores catarinenses selecionados para representar o estado na Feira do Livro de Porto Alegre, por ocasião da homenagem do evento à Santa Catarina. Em 2010 foi agraciado com a Bolsa Funarte de Criação Literária, do Governo Federal, para pesquisa e conclusão de seu romance A mulher sem qualidades. Desde 2007 é cronista fixo (escreve todos os sábados) dos diários A notícia e O correio do povo.

    8 Livros
    9 Seguidores
    Santa Catarina, Brasil

    Carlos Henrique Schroeder