Decidi ler A busca pela imortalidade, de John Gray, logo após haver terminado a leitura de O sentido do fim, de Frank Kermode. E qual teria sido a minha intenção? Apenas o de prosseguir no mesmo tema, algo tão universal e, ao mesmo tempo, tão intrínseco a cada um de nós.
Dividido em três partes, o livro apresenta uma escrita fluida, mas também recheada de exemplos, citações e argumentos baseados em escritores e pensadores europeus e norte-americanos.
Na primeira parte, John Gray aborda o fenômeno das correspondências cruzadas, mantida por alguns escritores da época que buscaram uma inspiração sobrenatural para iluminar o material e a época da sociedade inglesa eduardiana.
Na segunda parte, o autor envereda pelas sendas político-econômicas do comunismo em seus primórdios, quando se acreditava que tal regime político poderia salvar o homem da morte, por meio da transformação da sociedade e a criação e avanço de uma raça de homens que fariam o mundo inteiro avançar em um futuro em que o próprio comunismo seria a única e verdadeira crença, regime e modo de vida universais.
Na terceira parte, o autor se aproxima ainda mais de nossos dias, ao relatar experiências com avanços científicos (alguns deles desmentidos ao longo do tempo), tais como a criogenia e a singularidade.
Enfim, A busca pela imortalidade é um pequeno livro para um assunto tão imensamente amplo e pode fazer o leitor pensar que se trata de uma obra, fútil, superficial ou simplesmente incompleta.
Pensando melhor, A busca pela imortalidade é exatamente isso: o relato da busca que todos nós fazemos para que nossas vidas não sejam fúteis, superficiais ou simplesmente incompletas...