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    Ecce Homo -

    Eusébio de Matos

    Globo
    2007
    116 páginas
    3h 52m
    ISBN-13: 9788525043139
    Português Brasileiro
    4.8
    2 avaliações
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    'Ecce Homo' é um conjunto de sermões de Eusébio de Matos. Essa edição inclui edição de texto (incluindo rigorosa atualização ortográfica) e notas de José Américo Miranda e Valéria M. P. Ferreira, posfácio de Adma Muhama e cronologia sobre o autor. Eusébio de Matos vem a ser o irmão do poeta baiano Gregório de Matos, além de o discípulo mais dileto do padre Antônio Vieira. Se, por um lado, a proximidade com o maior poeta brasileiro da época e com um dos maiores estilistas da língua (Vieira seria referido por Pessoa como 'o imperador da língua portuguesa') ofuscou o nome de Eusébio de Matos, por outro lado, essa mesma proximidade é a fiadora da grande qualidade literária dos seus sermões. O tema dos sermões coligidos em 'Ecce Homo' é o do Cristo ferido, o Cristo com suas chagas, depois do julgamento e antes da crucificação. Na retórica católica, que tem seu ápice justamente no Barroco a que pertence Eusébio de Matos (depois do auge da filosofia cristã com a Escolástica de Tomás de Aquino), as chagas de Cristo servem como ponto de partida sinedótico (que toma a parte pelo todo) para a construção de verdadeiras catedrais argumentativas, sem que os argumentos percam de vista a dimensão da empatia, ou do afeto, a partir da própria imagem do Cristo como homem ferido. E se, como querem tantos, o humanismo moderno não nasceu no Iluminismo laico, mas em certos aspectos da doutrina cristã, o Cristo ferido é um desses aspectos. O que, como não poderia deixar de ser em se tratando do Barroco, faz com que o livro transcenda a cultura brasileira para se inserir num âmbito mais amplo.

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    Matheus picture
    Matheus10/08/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Pilatos, pois, tomou então a Jesus, e o açoitou."

    É admirável nesses sermões como o autor, Eusébio de Matos, consegue revelar com muita precisão a volatilidade que há em Cristo, e que muitas vezes é ofuscada pela imagem apenas de Salvador, esquecendo-se assim o lado de Juiz. O mesmo que ama é o mesmo que julga, a mão que irá te erguer e te alçar aos braços da Redenção será a mesma que irá te condenar caso não haja penitencia da parte do ouvinte\leitor. Não é difícil entender que a ideia do autor aqui é deixar claro que Cristo não é apenas amor, mas também a própria Justiça. Todos os sermões aqui são um analise de João 19, um convite, e também um alerta a não vermos a figura de Cristo apenas por um prisma. É com muita maestria e eloquência que o autor disserta o estado de Cristo em frente a corte de Pilatos, desde a coroa de espinhos que usava até a frase que dá nome ao sermonário, Ecce Homo. Frase essa entendida pela Igreja como um desdem, uma afronta a Deus, e aqui "desmistificada" (porem não atenuada), revelando o Deus através do Homem, e o Homem através do Deus. Não há palavras para descrever essa obra, cada leitor julgará por si mesmo a importância do tema, mas é inegável o talento aqui expresso. Se seu irmão, Gregório de Matos, ficou conhecido até hoje pela alcunha de Boca do Inferno por suas criticas ferozes a Igreja e todos com ela envolvidos, e por sua poesia pornográfica, tido por muitos como o primeiro de nossos poetas malditos, eu não vejo problemas em dizer que Eusébio deva ser chamado de "Boca do Céu" (ou algo que valha), já que disso tanto falou e viveu até sua morte.

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    Eusébio de Matos e Guerra

    Eusébio de Matos nasce na Bahia em 1629. Em 1636, nasce seu irmão, o poeta Gregório de Matos. Em 1644, Eusébio de Matos professa na Companhia de Jesus. Representa, em 1659, os interesses de sua família em transação com os colégios dos jesuítas da Bahia e de Santo Antão de Lisboa. É chamado a Lisboa para ser nomeado orador do rei – e impedido de ir por seus superiores (1669). Publica em Lisboa o Ecce Homo (1677). Abandona a Companhia de Jesus e ingressa na Ordem do Carmo, com o nome de frei Eusébio da Soledade (1680). Publica em Lisboa, em 1681, o Sermão da soledade e lágrimas de Maria Santíssima Senhora Nossa. Nesse mesmo ano, Antônio Vieira retorna à Bahia. Eusébio de Matos vem a falecer na Bahia, a 7 de julho de 1692. (em 1694, seriam publicados em Lisboa os seus Sermões.; em 1923, sai no Rio de Janeiro, na “ Estante Clássica da Revista de Língua Portuguesa” , o Ecce Homo).

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    Bahia, Brasil

    Eusébio de Matos e Guerra