Publicado em 1954, Lord of the Swastika é a obra mais conhecida do autor de ficção científica Adolf Hitler. Acompanhamos a história de Feric Jaggar, um homem geneticamente perfeito que tem a ambição de varrer da face do planeta todo tipo de aberração mutante num mundo pós-nuclear.
Na verdade, o romance de Norman Spirad é um livro dentro de um livro, publicado em 1972. The Iron Dream é o texto integral do fictício Lord of the Swastika, acompanhado de um prefácio e um ensaio analítico da obra. Tudo faz parte do jogo metalinguístico dessa mistura de sátira e fantasia.
Nessa linha do tempo, Hitler deixa a Alemanha, depois de enfrentar problemas políticos, e emigra para os EUA, em 1919. Mas, tanto dentro como fora de Lord of the Swastika, Spinrad não está muito preocupado em criar universos alternativos verossímeis.
A intenção de Spirad foi, a partir da mentalidade delirante de Hitler, construir uma ficção heroica exagerada. A linguagem é ridiculamente épica, com frases de efeito e uma sintaxe derramada. Ou seja, o livro é intencionalmente ruim.
O herói de Hitler é destemido, estrategista perfeito e cheio de razão. Os outros personagens são camaradas subordinados ou inimigos da pior espécie, aberrações. As primeiras cem páginas são movimentadas e o leitor consegue perceber as várias camadas do romance de Spinrad. Aquele universo leva o herói muito a sério e aí está a graça da coisa.
The Iron Dream é mais fantasia do que ficção científica. Principalmente, porque o herói puro, que se acha acima da maioria das outras criaturas, retratadas como deformadas e vis, comporta-se como os protagonistas das histórias de espada e magia. Lembramos logo de Conan.
Portanto, The Iron Dream também serve como uma crítica afiada à literatura de fantasia em geral, com seus heróis brancos e determinados contra inimigos considerados inferiores, bestiais.
O livro não deixa de ser bastante violento, com a representação física da ideologia do herói em banhos de sangue empregando-se cassetetes, armas de fogo, balas de canhão, lança-chamas, bombas aéreas e por aí vai. O que leva o leitor a perceber como o racismo, a xenofobia, o machismo e a megalomania podem transformar o espírito de grupo, toda uma sociedade, numa força de destruição.
Mas o maior problema de The Iron Dream é que a piada se torna longa demais e vai perdendo a graça. A trama se torna repetitiva e previsível ao acompanharmos a ascensão do herói sem muitos obstáculos, sem nenhum dilema interior. Principalmente, para aqueles que conhecem um pouco da história da ascensão do próprio Hitler. Há toda uma analogia relacionada às disputas internas entre os nazistas, à Segunda Guerra Mundial, à União Soviética e aos judeus. Se The Iron Dream fosse uma novela, reuniria muito bem seus melhores trechos.
O romance se recupera nos capítulos finais com uma reviravolta chocante e provocativa.