Em Lost in the funhouse, John Barth, a partir da história do jovem Ambrose, faz reflexões acerca da obra literária e do papel do escritor e da escrita no século XX. O livro é uma união de contos, os quais, segundo o próprio autor não se trata propriamente de uma coletânea, mas, antes, de uma sequência. Do nascimento de Ambrose até o momento em que este, perdido em um túnel do terror, assume-se enquanto escritor, o que o autor faz é criar paralelamente à história do protagonista digressões acerca do processo de escrita ficcional, na tradição e no século XX, apontando uma exaustão nas formas tradicionais de produção literária e dispondo novas formas de criação ficcional.
Ambrose não é só personagem de uma história contada por um narrador heterodiegético. O próprio Ambrose questiona-se quanto à possibilidade de não ser um indivíduo real, mas, na verdade, um personagem de ficção.
Ficção e teoria caminham lado a lado. Os contos versam desde a concepção do menino (primeiro conto que traz reflexões polissêmicas em uma forma espetacular), brincadeiras de infância, paixões platônicas juvenis e, por fim, reconhecimento do potencial criativo e ser de ficção, até uma retomada da tradição literária, evocado os textos gregos a partir de uma linguagem e visão completamente inovadoras, lendo o antigo através da perspectiva pós-moderna a fim de estabelecer se não uma nova tradição, ao menos a tentativa de superar a crise literária que se dá no século XX em que, segundo Barth, temas e obras estão chafurdadas em uma realidade de “exaustão”.
Em suma, a obra traz uma nova forma de fazer literário que imbrica teoria com ficção extrapolando a metalinguagem para problematizar o que é o próprio problema: a exaustão das formas literárias.