Poesias Completas - Mário de Andrade -

    Mário de Andrade

    Vida Melhor
    2009
    624 páginas
    20h 48m
    ISBN-13: 9788578600860
    Português Brasileiro

    "Mário de Andrade já se foi. Grande alma e grande escritor, (…) ninguém com mais preocupação de construir algo de novo e de solido que Mário de Andrade. Lançou-se em especial à colaboração e ao emprêgo de uma linguagem exclusivamente brasileira que deu aos seus poemas e aos seus romances um tom nativista muito original, sem nenhuma preocupação nacionalista no sentido clássico do têrmo (…) a sua morte consagrou-o como a figura mais representativa do modernismo na sua mais pura essência revolucionária, e uma das maiores figuras das nossas letras de todos os tempos" (Alceu Amoroso Lima). Em 1943, no plano de suas Obras Completas, que Mário de Andrade polígrafo (1893-1945) arma para a Livraria Martins Editora, Poesias completas deveria ampliar o conteúdo de Poesias, seleta que, em 1941, revisita os títulos publicados no modernismo da década de 1920 – Pauliceia desvairada (1922), Losango cáqui (1926), Clã do jabuti (1927) –, e em 1930, Remate de males, trazendo também os inéditos “A costela do Grã Cão” e “Livro azul”. Poesias completas abrangeria a integralidade dos livros até 1930, os inéditos divulgados em 1941 e novos inéditos como O carro da Miséria. Apenas em 1955, dez anos após a morte do autor, a obra se concretiza. A presente edição de Poesias completas busca restituir, nos textos apurados mediante o confronto com edições em vida e manuscritos, o projeto original de Mário de Andrade para esse livro. Anotada e acrescida de documentos, contribui vivamente para a história da literatura no Brasil.

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    Pablo Pax12/09/2021Resenhou um livro
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    Poesia sensual

    Há tempos resolvi ler a poesia de Mário de Andrade (1892-1945) porque queria ter uma visão de conjunto de sua lírica. Ele publicou oito livros de poesia. O que me chamou a atenção é que para além do vanguardismo e dos inúmeros temas que abordou, sua poesia como um todo é bem sensual, erótica, homoerótica até, ainda que não tenha explicitamente essa intenção. Um exemplo é o poema "Moda dos quatro rapazes": "Nós somos quatro rapazes Dentro duma casa vazia. Nós somos quatro amigos íntimos Dentro duma casa vazia. Nós somos ver quatro irmãos Morando na casa vazia. Meu Deus! si uma saia entrasse A casa toda se encheria! Mas era uma vez quatro amigos íntimos...". Muitíssimos dos poemas tem o 'espírito' desse aí. Como escrevia muito em prosa - conto, crônica, romance, artigo, crítica musical, cartas (é um dos maiores epistoleiros da língua portuguesa) - acho que deixava a poesia para extravasar toda a sua libido, todo o seu (homo)erotismo reprimido. Não estou reduzindo a sua produção poética a isso apenas; só aponto algumas impressões de leitura. Sempre me impressiona a tacanhez e o moralismo pequeno-burguês da maioria de seus estudiosos que silencia sobre seu homoerotismo. É uma faca de dois gumes que o primeiro contato de muita gente com sua obra é via vestibular: se de um lado apresenta o autor para novas gerações, por outro o reduz ao status de chato, academicista e pedante, tirando o vigor de sua obra. E é uma pena porquanto o que sua poesia mais tem é vida, vigor, cidade pulsando. Se ele vivesse no mundo de hoje, estaria bem à vontade para falar abertamente sobre isso, já que sua época não estava à sua altura. Seria feliz e estaria poetizando mais um tema, a sexualidade em Sampa, "cidade Arlequinal!" como ele a definia.

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