Esse foi um livro do qual me apaixonei antes mesmo de folheá-lo. Primeiramente pelo título e também por sua belíssima capa, tão bem trabalhada, denotando um misto de sonhos e contos de fadas.
Primeira obra do escritor inglês Ali Shaw, A garota dos pés de vidro, como o próprio autor afirmou em uma entrevista, bebeu da fonte de obras literárias de Hans Christian Andersen, entre outros nomes dos clássicos e belos contos de fadas.
E A garota dos pés de vidro, de fato, é isso mesmo: um conto moderno de amor, cheio de metáforas acerca da solidão, do isolamento emocional, do medo, da dor, das dificuldades e do desafio de se apaixonar.
Mergulhados num cenário invernal, onde tudo é monocromático e visto como que pelas lentes de uma câmera fotográfica, acompanhamos o introvertido Midas, morador de St. Haudas Land, uma misteriosa ilha que esconde segredos, paisagens exóticas, gados com asas de borboleta e pessoas que se transformam em vidro. Você precisa estar preparado, como o próprio livro diz, para deixar-se levar por toda essa fantasia. Só assim é possível sentir de verdade a história e todos os elementos que fazem dela um belo retrato de como vencer corações de vidro com o simples poder da afeição, carinho e atenção.
Não é por acaso que Midas, sempre tão calado e esquivando-se a todo custo de sentimentos que possam de alguma forma despertá-lo de sua reclusão emocional verá em Ida, a garota dos pés de vidro, aquilo tudo que mais temeu em sua vida: a possibilidade de viver algo além daquilo que seu medo permite e que seu coração, tão endurecido pelo tempo e acontecimentos, deseja tanto conhecer.
É um belo romance sobre uma improvável história de amor. Como disse a personagem Denver: O sentido do jogo é se iludir por um momento. Para que as coisas não sejam o que elas são. E não é exatamente disso que se trata um conto de fadas?