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    O Temor do Sábio - Parte 2 - A Crônica do Matador do Rei - Segundo Dia

    Patrick Rothfuss

    Edições Asa
    2011
    684 páginas
    22h 48m
    ISBN-13: 9789895579259
    Português Brasileiro
    4.7
    16126 avaliações
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    Agora em O Medo do Homem Sábio, Dia Dois das Crónicas do Regicida, uma rivalidade crescente com um membro da nobreza força Kvothe a deixar a Universidade e a procurar a fortuna longe. À deriva, sem um tostão e sozinho, viaja par Vintas, onde, rapidamente, se vê enredado nas intrigas políticas da corte. Enquanto tenta cair nas boas graças de um poderoso Nobre, Kvothe descobre uma tentativa de assassínio, entra em confronto com um Arcanista rival e lidera um grupo de mercenários, nas terras selvagens, para tentar descobrir quem ou o quê está a eliminar os viajantes na estrada do Rei. Ao mesmo tempo, Kvothe procura respostas, na tentativa de descobrir a verdade sobre os misteriosos Amyr, os Chandrian e a morte da sua família. Ao longo do caminho Kvothe é levado a julgamento pelos lendários mercenários Adem, é forçado a defender a honra dos Edema Ruh e viaja até ao reino de Fae. Lá encontra Felurian, a mulher fae a que nenhum homem consegue resistir, e a quem nenhum homem sobreviveu até aparecer Kvothe.

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    Joseilton de Lima Correia picture
    Joseilton de Lima Correia02/11/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Fortuna Exprimitur Artibus Falsis

    The future doesn't pass and the past won't overtake the present All that remains is an obsolete illusion We are afraid of all the things that could not be, a phantom agony The Phantom Agony - Épica O homem sempre criou mitos para tentar explicar aquilo que ele não compreendia. Antigamente os mitos possuíam força, e eram ouvidos como uma dádiva de sabedoria. Os homens criaram os seus mitos através de alegorias fantásticas, onde seres conseguiam transpor a idéia do real, do lógico e do físico. Esqueceram eles que alguns homens comuns possuíam a capacidade inata de transformar o real a sua volta através de uma realidade comum, mas que os ignorantes de coração não conseguiam enxergar, esquecendo que todo ser concebido neste mundo tem uma natureza comum, que é inerente a todos, e a cada um dos seres. O que esses homens lendários faziam nada mais era que conseguir dar forma a todas as inquietações que o seu ser clamava, e se lançavam no mundo procurando algo que aliviasse a sede de sua alma por conhecimento. Uma alma que buscava a essência do viver, e também, a base de todas as outras coisas. E é buscando saciar a sede de sua alma que Kvote mais uma vez nos proporciona uma aventura sem tamanho. Depois de uma longa espera e uma enorme expectativa Patrick Rothfuss não decepciona! Se em O Nome do Vento ele conseguiu nos cativar com sua narrativa original, convincente e cativante, em O Temor do Sábio ele vai muito além. Rothfuss cria um verdadeiro panteão de histórias, que proporciona ao leitor uma experiência surreal, e que nos faz devorar o calhamaço de 960 páginas em poucos dias. A narrativa de Rothfuss consegue ser ainda melhor que a de O Nome do Vento, a sua capacidade de incorporar as histórias contadas nas tabernas, nos livros, nas canções e principalmente no calor das fogueiras, faz com que se possível a completa imersão do leitor nas histórias e lendas locais. A filosofia criada por Rothfuss é tão bem elaborada que se passa por real, as lendas do Grande Taborlin, ou a história do Garoto que roubou a Lua são fantásticas e especulativas, mas ao mesmo tempo, são como as nossas grandes epopéias gregas, que sempre transmitem uma lição, que sempre nos dá a possibilidade de irmos além daquilo que sabemos. As criações lingüísticas de Rothfuss (Principalmente junto dos Ademerianos) são perfeitas, e a capacidade de eloqüência em suas falas, torna cada sentimento palpável através de cada página lida. No decorrer da narrativa, a história de Kvote vai ganhando contornos interessantes, e devo admitir que sua saída da universidade foi algo que trouxe crescimento tanto para o personagem, como para a narrativa. Os interlúdios da história também deixam brechas interessantes para o desfecho da série, afinal Kvote além de sofrer ao contar as histórias, enxerga nelas todas as conseqüências que suas escolhas lhe proporcionaram. Tenho plena convicção de que o presente de Kvote ainda terá mais a nos revelar do que o seu passado. Kvote é realmente um personagem em transformação. Sua construção ao longo dessas 1.500 páginas da série mostra um personagem em constante processo de lapidação, seja por vontade própria ou mesmo pelas grandes e inevitáveis dificuldades de sua vida. Mas, seu grande mérito é ser orgulhoso demais para desistir daquilo que ele sempre buscou. O orgulho de Kvote é algo inspirador, ele consegue transmitir as mais várias formas de busca através de um sentimento tão insensato. Talvez seu segredo consista em saber que não há mais nenhum lugar no mundo em que ele queira estar, e que a maioria das situações que ele viveu, muitas pessoas matariam pela simples menção de poder desfrutá-los. Digo isso, porque quem não gostaria de ser um aluno fora do comum na maior instituição educacional de seu tempo? Quem não gostaria de cair nas graças de um mecenas tão rico quanto um rei? Quem não mataria para viver eternamente nos braços de Feluriana?! O mais irônico, e ao mesmo tempo belo, é que Kvote não faz nada disso por orgulho propriamente dito. Ele o faz para que o conhecimento e as oportunidades que aparecem em sua vida sofrível possam ser conhecidas, e principalmente, respeitadas. É assim que Kvote traça o seu destino: saboreando seus momentos com sabedoria, experimentando na própria pele o sabor que as lendas vivas guardam, e buscando entender a mente de um amor que é furtivo, distante, incompreensível, inesperado, frágil e belo. Enfim, O Temor do Sábio cumpriu o seu papel e nos deu um arco maravilhoso e duplamente interessante para o fim da saga. Só nos resta esperar pela conclusão da saga, que passará por um baú lacrado e sem chave, por um espectador e ajudante curiosamente interessado naquilo que Kvote está contando, por uma aventura digna de uma canção sobre o Chandriano, e por um silêncio de três partes, que pode muito bem ser preenchido com a morte.

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