Ao decidir estudar, a partir da crença dos gregos em seus mitos, a pluralidade das modalidades de crença, a crença no que os outros dizem, a crença por experiência própria, Paul Veyne concluiu que, em vez de falar de crenças, deveria falar de verdades, elas próprias imaginações. Nós não fazemos uma ideia errada das coisas: a verdade das coisas é que, através dos séculos, foi constituída de maneira peculiar, escreve. Longe de ser a mais simples experiência realista, a verdade, diz o autor, é a experiência mais histórica de todas. Ele explica que as verdades relacionam-se a contextos culturais, e podem ser questionadas em outras esferas de cultura, diferentes. O olhar contemporâneo sobre o passado ilustra essa visão, pois costuma classificar a quase totalidade das produções anteriores como delírio e considerar como verdade, e muito provisoriamente,somente o que constitui o último estado da ciência. Veyne explica que seu interesse sobre verdades, justamente a partir da crença, não tem intenção de afirmar que a imaginação anuncia as futuras verdades e deveria estar no poder. E, sim, que as verdades já são imaginações e a imaginação está no poder desde sempre; ela, e não a realidade, a razão ou o longo trabalho do negativo.
Os gregos acreditavam em seus mitos? -
Paul Veyne
Unesp
2014
206 páginas
6h 52m
ISBN-13: 9788539305292
Português Brasileiro
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