Os gregos acreditavam em seus mitos? -

    Paul Veyne

    Unesp
    2014
    206 páginas
    6h 52m
    ISBN-13: 9788539305292
    Português Brasileiro

    Ao decidir estudar, a partir da crença dos gregos em seus mitos, a pluralidade das modalidades de crença, a crença no que os outros dizem, a crença por experiência própria, Paul Veyne concluiu que, em vez de falar de crenças, deveria falar de verdades, elas próprias imaginações. Nós não fazemos uma ideia errada das coisas: a verdade das coisas é que, através dos séculos, foi constituída de maneira peculiar, escreve. Longe de ser a mais simples experiência realista, a verdade, diz o autor, é a experiência mais histórica de todas. Ele explica que as verdades relacionam-se a contextos culturais, e podem ser questionadas em outras esferas de cultura, diferentes. O olhar contemporâneo sobre o passado ilustra essa visão, pois costuma classificar a quase totalidade das produções anteriores como delírio e considerar como verdade, e muito provisoriamente,somente o que constitui o último estado da ciência. Veyne explica que seu interesse sobre verdades, justamente a partir da crença, não tem intenção de afirmar que a imaginação anuncia as futuras verdades e deveria estar no poder. E, sim, que as verdades já são imaginações e a imaginação está no poder desde sempre; ela, e não a realidade, a razão ou o longo trabalho do negativo.

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    Gustavo Henrique Cardoso17/07/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Já fazem algumas horas que terminei minha leitura mas me pego ainda refletindo sobre o que li, não é um livro fácil, com certeza um iniciante deveria passar longe deste livro, ele necessita de muita bagagem, esta que mesmo eu com graduação em história por vezes me percebo confuso diante dos levantamentos, sua mensagem sobre se os gregos acreditavam em seus mitos é de fácil compreensão, no entanto, paul veyne quer ir além e discutir a subjetividade da verdade, confesso que ainda me restam duvidas, precisaria dar uma lida em nietzsche, foucault e retomar as filosofias platonicas e aristotélicas para melhor compreensão, com certeza é um livro que terei o prazer de reler em um futuro próximo, e sem duvidas foi uma das melhores leituras que tive este ano, brinco que quando crescer quero ser como paul veyne. Dito isto, não concordo com tudo o que fala ou levanta, mas é impossível não ver as tantas qualidades que ele apresenta, como dizia febvre sobre o papel do historiador, paul consegue transitar entre as mais diversas áreas do saber pra nos mostrar um conteúdo denso e extremamente erudito, tudo isso transposto em sua escrita maravilhosa, as vezes acredito se perder em tanta subjetividade, em momentos que ele apresenta uma solução complexa e logo adiante se propõe a dar uma explicação mais didática porém acaba falhando e por vezes só leva a mais dúvidas, mas isso não é algo que ocorre durante todo o livro, e sua escrita não perde a qualidade por causa dessas questões.

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