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    Pétalas de sangue -

    Ngugi wa Thiong'o

    Edições 70
    1979
    379 páginas
    12h 38m
    ISBN-10: 9724405516
    Português Brasileiro
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    Uma pequena e desconhecida povoação do Quénia transforma-se inesperadamente num centro de conflitos dramáticos, não só pessoais corno políticos. A luta pela independência está presente quer pela recordação dos heróis quer pela condenação dos oportunistas.

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    Wagner Alves Pereira15/08/2022Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    PÉTALAS DE SANGUE

    O escritor Ngugi wa Thiong’o é o maior representante da literatura queniana e, certamente, um dos maiores escritores da literatura mundial. Sempre presente na lista dos concorrentes ao Prêmio Nobel de Literatura, Ngugi wa Thiong’o criou sua poética fundada na crença de que o seu papel enquanto artista não é somente capturar e refletir as lutas e dramas históricos do Quênia, mas de lutar contra as injustiças sociais e políticas praticadas contra o seu povo. Em 1977, esse posicionamento artístico e humano lhe custou um período de prisão durante o regime de Jomo Kenyatta. Publicado em 1977, “Pétalas de Sangue” é o último romance de Ngugi wa Thiong’o escrito em língua inglesa – a partir de então, ele passou escrever em sua língua natal, o gikuyu. Ngugi wa Thiongó retrata no romance seu desencantamento e a frustração com a subversão dos valores e ideais das lutas de libertação do povo queniano. Para o escritor, a lutas de libertação promovidas pelas nações africanas contra o regime colonial concederam lugar à opressão e exploração pelas elites locais em aliança com os interesses do capitalismo internacional. Num determinado momento, o narrador afirma: “cada canto do continente estava agora mais facilmente ao alcance do capitalismo internacional, do roubo e da exploração”. Em “Pétalas de Sangue”, Munira, Abdulla, Karega e Wanja são encarcerados pela suspeita de terem assassinado três grandes representantes das elites quenianas. Doze anos antes do crime, esses personagens chegaram ao pequeno povoado de Ilmorog com a esperança de esquecer o passado. Contudo, esses quatro protagonistas descobrem que não apenas não conseguem se desvencilhar do passado, mas que serão arrastados pelas consequências e desencantamentos com os rumos advindos do pós-independência no Quênia, onde os valores tradicionais foram corrompidos e substituídos por uma “modernidade” que expulsou povos de suas terras para integrar as periferias das grandes cidades. No romance, todos os protagonistas possuem histórias comoventes, mas nenhuma encarna com tanta força as implicações da destruição da tradição do que a personagem Nyakinyua, avó de Wanja. Ela é uma espécie de “griot contemporânea”, como bem percebeu o pesquisador Jair Ramos Braga Filho, por fazer do passado e da memória não só o depositório do conhecimento ancestral como também a fonte da força telúrica que impulsiona os seus para as lutas contra a opressão e exploração. Certamente, ela é uma das personagens mais fascinantes que já conheci na literatura. Pétalas de sangue é um romance fascinante, maravilhoso e lindo. Ninguém sai incólume de sua leitura, ninguém...

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    Ngũgĩ wa Thiong'o

    Ngũgĩ wa Thiong'o é um escritor queniano, que escreveu obras em língua inglesa e que posteriormente tem escrito em língua gĩkũyũ. A sua obra inclui novelas, peças teatrais, contos e ensaios, da crítica social à literatura infantil. É o fundador e editor da revista gĩkũyũ Mutiiri. Em 1977, Ngũgĩ wa Thiong'o escreveu uma peça de teatro no seu Quénia natal que procurava libertar o processo teatral do que ele dizia ser "o sistema geral de educação burguês", ao encorajar a espontaneidade e a participação da audiência na execução da peça. A peça não foi bem acolhida pelo autoritário regime queniano e o autor passou mais de um ano na cadeia. A Amnistia Internacional tomou-o como prisioneiro de consciência, e o artista foi libertado da cadeia, saindo do país. Nos Estados Unidos, ensinou na Universidade de Yale durante alguns anos, e também na Universidade de Nova Iorque, nas áreas de "Literatura Comparada" e "Performance Studies". Ngũgĩ vê muitas vezes o seu nome nas listas de candidatos ao prémio Nobel da Literatura. Para o crítico literário Jonatan Silva, Thiong'o retrata como poucos a luta pela independência do Quénia. Em sua crítiva para Um Grão de trigo, Silva ressaltou a habilidade do escritor em criar um "jogo de espelhos" entre realidade e ficção

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    Kamiriithu, Quênia

    Ngũgĩ wa Thiong'o