Romântico, sedutor e anarquista - Como e por que ler Jorge Amado hoje

    Ana Maria Machado

    Companhia das Letras
    2014
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-13: 9788535925005
    Português Brasileiro

    Toda a riqueza da prosa de Jorge Amado em ensaio que foge do senso comum e propõe novas leituras de suas obras. Foi em nome do prazer que Ana Maria Machado decidiu estudar Jorge Amado, adorado pelos fãs e inicialmente saudado pela crítica como fantástico romancista. A essa reação, entretanto, seguiu-se uma guinada nos meios acadêmicos, sobretudo em certas regiões do país, que passaram a classificar a sua obra como algo melhor. O criador de Gabriela, Tieta e Teresa Batista, para ficar em apenas algumas de suas personagens femininas mais famosas, teve uma carreira internacional de sucesso, com os direitos de suas obras vendidos para dezenas de países. No Brasil, sua projeção não foi menor. Ignorando completamente a comunidade acadêmica, o público devorou seus livros, tornando muitos deles best-sellers. O sucesso do autor obrigou a crítica a quebrar o silêncio e tentar decifrar o que havia, afinal, na prosa de Jorge Amado que seduzia tanto os leitores. No início, muitos classificaram a sua obra como algo menor; depois, vieram aqueles que, destituídos de preconceito, começaram a analisar o autor em toda sua complexidade. Este Romântico, sedutor e anarquista, publicado pela primeira vez em 2006, pertence a essa segunda seara. Ana Maria Machado passa em revista as qualidades narrativas do autor, destaca sua capacidade como contador de histórias, o realismo de seus personagens e discute pontos cruciais em seus livros, como "a fartura de visões e a opulência de recursos" em Tenda dos milagres, ou as frequentes crenças de que o futuro pode e deve ser melhor. Assim como Jorge Amado, Ana Maria Machado é dona de uma prosa fluente, clara e sedutora. Para os fãs e estudiosos do autor, esta edição, que abre com um prefácio da antropóloga Lilia Moritz Schwarcz, é uma oportunidade única de olhar para um dos mais importantes escritores brasileiros, sem amarras sociais ou preconceitos de classe.

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    Marcos Queiroz19/06/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Sopro de vida de nosso povo

    Ana Maria Machado entrega um estudo profundo e com fontes maravilhosas sobre a importância de ler Jorge Amado nos dias de hoje. Desmistifica várias questões que apontam e acusam Amado de ser racista, um idealizador de um Brasil que não existe, quando ele escreve justamente o Brasil que existe, principalmente na Bahia. Amado escreve sobre a identidade do nosso povo, sobre uma nação, uma cultura criada na Bahia. A mestiçagem que escreve Amado não é só a do povo, é a da nossa cultura, Ana Maria deixa muito claro que não a mais nada de puro em nossa nação, seja no sangue ou na cultura do nosso povo e Jorge Amado escreveu sobre isso como ninguém. A obra de Amado tem luta, tem amor, tem anarquia, tem política, tem religião, tem violência, tem amizade, tem milagre, tem história, a história real. Ler Amado é importante ainda hoje pois é um retrato do que fomos, do que somos e do que podemos ser.

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