A contribuição de Tim Maia para a MPB é inegável, mas sua vida pessoal era tão conturbada que mentiras, exageros e a mais pura verdade se misturam formando uma personalidade que surpreende por ser a caricatura do malando carioca.
Estou falando daquele estereótipo antigo do 171 com o cafajeste e não da versão aguada e bem humorada que agora se tem. Tim Maia era, pelas palavras de Motta, arrogante, caloteiro, irresponsável e... genial.
O texto abarca toda a vida do cantor em âmbito pessoal e profissional e se vale de anedotas, partes de letras e muita passada de mão na cabeça para formar essa biografia. Pode ser delicioso para quem viveu aquele tempo e pode usar a discografia dele como parte da trilha sonora da própria vida.
Mas não espere aqui muita informação para a economia e política da época. Tim Maia, por tudo que gritava em suas entrevistas, era tão desligado de ambos quanto o brasileiro médio. Nelson Motta prefere tingir o texto com partes de entrevistas ao mesmo que escreve como o cantor utilizava a persona para marketing pessoal.
É um livro interessante, porém é bom lembrar que foi escrito por um amigo pessoal do artista - nada extremamente polêmico (para os padrões atuais) é revelado. Parece mais um elogio póstumo do que qualquer outra coisa.