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    O homem diante da morte -

    Philippe Ariès

    Unesp
    2014
    838 páginas
    1d 3h 56m
    ISBN-13: 9788539305353
    Português Brasileiro
    4.6
    37 avaliações
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    Neste abrangente estudo Philippe Ariès investiga o comportamento humano diante da morte ao longo do último milênio nas sociedades ocidentais. A partir de uma perspectiva histórica, sociológica e até mesmo psicológica, ele analisa textos literários, inscrições lapidares, obras de arte, diários pessoais para mostrar que as atitudes em relação à morte, própria e dos outros, foram se transformando, de modo quase imperceptível, no decorrer do tempo, até se tornarem irreconhecíveis em relação aos séculos anteriores. A comparação entre a morte familiar e 'domesticada' da sociedade cristã medieval e a morte repelida, percebida como negação absoluta e tornada oculta da Era Contemporânea, dão a medida justa dessa mutação. Ariès levanta uma hipótese para a pesquisa, monumental, e a enriquece gradualmente propondo por fim a existência de uma correlação entre a atitude do homem diante da morte e a consciência da individualidade, agregando ainda outras três variáveis psicológicas ao estudo - a defesa da sociedade contra a natureza selvagem e a crença na sobrevivência e na existência do mal. A obra mostra que a trajetória humana em torno da morte não tem continuidade temporal, pois velhas atitudes sobrevivem a novos modelos. Contudo, na Era Medieval o modelo predominante é o da morte como membro das comunidades, que conduz os homens a uma espécie de sono. Em seguida, vem à tona o indivíduo e impõe-se a noção de sobrevivência da alma, a sede da individualidade. Num segundo momento, que vai do século 16 ao século 18, a morte até então domesticada e contida, é liberada, retorna ao estado de selvageria e passa a provocar fascínio e medo. É somente no século 18, segundo Airiès, que a morte adquire um sentido dramático e passa a ser encarada como transgressão, por 'roubar' o homem de seu cotidiano e sua família - trata-se agora de olhar para a morte do outro. Nos anos seguintes a morte se transformou, aos poucos, em tabu, sua proximidade passou a ser ocultada do moribundo. Mas foi a partir dos anos 1930 que a medicina mudou a representação social da morte - morre-se agora em hospitais, não mais em casa, e a vida pode ser estendida, ainda que de forma vegetativa, por meses e anos.

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    Wagner Paulin picture
    Wagner Paulin03/11/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A MORTE RESTITUI DIGNIDADES...

    (...) "Para a região do Nordeste do Brasil, é a morte que conta, não a vida, já que praticamente a vida não lhes pertence." A posse da morte é " o seu direito de escapar um dia ao constrangimento da miséria e das injustiças da vida". A morte lhes retitui a dignidade (...) in: ARIÈS.Philippe. O homem diante da morte. São Paulo: UNESP, 2014. pp 752

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    Philippe Ariès

    Philippe Ariès (Blois, 21 de julho de 1914 - Paris, 8 de fevereiro de 1984) foi um importante historiador e medievalista francês da família e infância, no estilo de Georges Duby. Ariès escreveu vários livros sobre a vida diária comum. Seu mais proeminente trabalho rendeu um brilhante estudo sobre a morte.

    14 Livros
    46 Seguidores

    Philippe Ariès