A Carne, como o próprio nome diz, é uma obra típica do Naturalismo e, portanto, foca nas relações naturais e em como elas afetam a sociedade e vice-versa; Essa obra particular de Júlio Ribeiro carrega nas descrições dos corpos, especialmente femininos, o que gera uma escrita próxima do erotismo atual - um leitor desavisado pode realmente achar que está lendo um livro histórico. A trama é simples, uma jovem órfã é acolhida por uma família de estancieiros e lá se envolve com um homem mais velho (rico, experiente, protetor). É uma fantasia típica do universo masculino e como tal aborda ainda que levemente coisas como ostracismo, separação/divórcio, gravidez indesejada. A personagem feminina, Lenita, é um caso a parte. Percebe-se o desafio do autor em tentar montar uma mulher crível, porém seu olhar é por demais masculino, macho, para que as descrições do corpo dela possam realmente ser atribuída a ela. O perfil intelectual e emocional é melhor trabalhado, com uma jovem inteligente só que ainda enfrentando os desafios da própria sexualidade. É um texto com altos e baixos, contudo é inegável que o autor conseguiu realizar sua proposta: o que acontece quando uma mulher apresenta atitudes e características consideradas masculinas em um Brasil que apenas caminhava em direção a modernidade.







