Em que medida a diversidade das ações nas rádios comunitárias possibilita a configuração de espaços públicos? Essa questão orientou o estudo de Sayonara Leal que analisou a experiência dessas rádios na França, mas antigas e chamadas de rádios associativas, e no Brasil, cuja expansão ocorreu após a Constituição de 1988. A autora verificou que as rádios comunitárias contribuem para maior integração das pequenas comunidades, que na maior parte das vezes se sentem protegidas e representadas por esse meio de informação e formação de opinião. Essas rádios possibilitam revigorar o contato face a face, manter laços de socialização, em um mundo pautado pela globalização e relações impessoais. Em relação à natureza do espaço público criado pelas rádios comunitárias, o estudo indica para uma caracterização de um espaço misto de interesses públicos e privados, que aparecem imbricados e revestidos de diversas formas de ação social. O trabalho de Sayonara se destaca no campo dos estudos sociais das tecnologias da informação e da comunicação e alcança importantes resultados: ressalta o protagonismo cívico de públicos que se reúnem para formar instâncias de intervenção participativas em processos de vida social; mostra a descentralização do sistema de produção, consumo e distribuição de informação e conhecimento; sugere que mesmo a existência de diferentes lógicas de ação e interesses, muitas vezes contraditórios entre si, não impedem a formação de espaços públicos, no sentido da representação de interesses comuns da comunidade.
Rádios comunitárias no Brasil e na França: democracia e esfera pública -
Sayonara de Amorim Gonçalves Leal
UFS
2009
435 páginas
14h 30m
ISBN-13: 9788578220433
Português Brasileiro
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