Como afirma o próprio J. J. Benítez, “adiantar o argumento e a natureza de Cavalo de Troia 1 é quebrar o desconcertante mistério que suas páginas encerram”. Podemos dizer, isso sim, que para a elaboração desta obra o autor se baseou em uma documentação real, guardada há anos nos Estados Unidos. Uma documentação que expõe uma imensidão de dados novos sobre a personalidade e a obra de Jesus de Nazaré. Podemos afirmar que — tal como suspeita boa parte da humanidade — as grandes potências escondem muitos dos seus projetos espaciais e militares. Podemos revelar, por exemplo, que em 1973 a Força Aérea norte-americana, depois de vários anos de preparação e uma infinidade de peripécias, executou em pleno coração de Israel um de seus projetos “supersecretos”, que foi batizado precisamente como “Operação Cavalo de Troia”. Mas não podemos adiantar ao leitor como J. J. Benítez conseguiu essa fascinante documentação “confidencial”, nem o assombroso desenrolar da referida operação e seu final desconcertante. Seria quebrar o encanto de Cavalo de Troia 1, primeiro livro testemunho do jornalista e escritor navarro. Nas palavras do autor: “Só o futuro, como aconteceu com Julio Verne, poderá mostrar se este relato foi ou não verídico”.
Cavalo de Tróia - Jerusalém
J. J. Benitez
A Mais Prolixa História de Todos os Tempos
Aqui vai uma adivinhação: qual o resultado do cruzamento de um ufólogo com um cristão? A resposta resulta no jornalista e ufólogo J. J. Benítez que, após longo estudo a respeito da vida de Jesus Cristo e demais assuntos relacionados à bíblia, lança em 1984 o livro "Caballo de Troya" ou "Operação Cavalo de Tróia" na primeira edição brasileira de 1987 - que trata-se de uma obra que tem em sua premissa contar sua história de ficção científica e histórica da forma mais realista possível. Uma história que se leva a sério, sendo que o próprio autor diz que muito do que está escrito no livro trata-se da realidade, postura típica de um bom ufólogo. Benítez demonstra um conhecimento profundo a respeito da história de Jesus, principalmente de seus últimos dias. Todas as explicações históricas e científicas que coloca no livro são de fácil entendimento pois, como um bom jornalista que eu sei que o autor é, ele lida muito bem com as palavras. Com estas habilidades de Benítez estabelecidas nesta resenha, encerro por aqui os elogios a esta obra. Não vou medir as palavras: esse livro foi um verdadeiro suplício, o mais difícil de terminar com que já me deparei. Se ele fosse resumido às partes que de fato importam para a trama, ele não teria mais do que duzentas páginas. Acompanhem comigo: uma dupla de membros do exército norte-americano embarca em uma viagem no tempo a bordo de um aparelho com o mais alto grau tecnológico apelidado de "o berço", construído pela Operação Cavalo de Tróia, projeto ultra-secreto dos EUA que tem por objetivo voltar ao ano 30 da nossa era e acompanhar os últimos dias de Jesus de Nazaré. Os dois militares, assumindo os nomes de Jasão (deveriam ter chamado o aparelho de Argos então, e não de berço.. ) e Eliseu, fazem a viagem sem maiores problemas e acompanham de perto os últimos 8 dias da vida de Jesus. Findo esse período, retornam para o presente. E isso é tudo. Simples, não é? Então, como explicar 560 páginas de letras miúdas ? A resposta está no aspecto que mais me desagradou neste livro: Benítez, em sua ânsia de provar que a história do livro é real, descreve minúcias e mais minúcias sobre absolutamente tudo! Não vou ficar enumerando aqui pra não perder tempo, mas vou resumir dizendo que são detalhes que não fazem a menor diferença para a trama! Por exemplo, o autor se dá ao luxo de nos dar todas as medidas exatas do corpo de Jesus, como tamanho de tórax, braços, pernas, etc. Quando se iniciam todos os tormentos físicos e morais pelos quais o Nazareno é submetido é que essa prolixidade do autor chega ao seu ápice: Benítez detalha o que cada pancada causa no corpo de Jesus, quantos litros de sangue ele perde, quantos ossos e tendões de seu corpo são partidos, como exatamente seu organismo reage ao suplício, frequência cardíaca, temperatura corporal e por aí vai (eu não ficaria surpreso se o Mel Gibson afirmasse que se espelhou nesse livro para fazer o filme "A Paixão de Cristo"). Tentem imaginar ler 560 páginas neste ritmo, com cada detalhe esmiuçado de forma incansável, notas de rodapé gigantes e que são apenas curiosidades sobre Jerusalém (sobre o povo Judeu daquela época e suas leis, sua moeda, etc.) mas raramente fazendo diferença para a história. Em determinado ponto do livro eu simplesmente me abstive de ler essas notas de rodapé, para ver se a leitura fluiria melhor. Outro detalhe bastante marcante é a inserção de doses homeopáticas de ufologia na trama: Benítez coloca na história algumas aparições de ufos e dá à estes objetos a responsabilidade por alguns pontos da história bíblica, como o eclipse que ocorreu durante a crucificação de Jesus (um ovni ficou na frente do sol...) e a ressurreição do mesmo. E não, não há qualquer explicação ou confirmação de nada a esse respeito no livro, mas há bastante explicação sobre os materiais dos quais são feitas as sandálias de Herodes e Jasão, fiquem tranquilos. Mas não é só isso, os problemas com essa história já nascem da sua premissa: imaginem que o governo do EUA descobre uma forma de viajar no tempo e gaste bilhões de dólares no processo. Eles podem impedir a Guerra Civil Americana, entregar alguma tecnologia ao próprio governo dezenas de anos antes de serem inventadas, impedir a criação da URSS, atrapalhar a ascensão da China como potência... Mas não, eles escolhem viajar para o ano 30 e simplesmente acompanhar Jesus Cristo e coletar informações a respeito do Nazareno, tirar suas medidas e etc. Não dá pra levar a sério, nem como ficção. Eu não consegui, ao menos. E o fato do autor ter retratado Jesus, nascido no Oriente Médio, como a Bíblia, com cabelos claros, pele branca e olhos azuis, também não ajudou a dar credibilidade para essa história. Não há suspensão de descrença que sobreviva a isso. No final de sua vida, Jasão, já velho e acometido por uma doença decorrente da viagem que o faz envelhecer mais rápido, procura Benítez para lhe entregar os diários do projeto Cavalo de Tróia. Mas, ao invés de simplesmente entregar a ele o material, ele faz um joguinho de pistas bem pueril e sem sentindo. A saga ainda tem mais - pasmem! - 8 livros, com Jasão inclusive voltando ao ano 30 novamente e sempre voltando cada vez mais, sempre com o intuito de acompanhar toda a história de Jesus. Obviamente eu não vou passar nem perto destes demais livros, definitivamente eu vou correr de qualquer coisa que tenha o nome de J. J. Benítez estampado na capa! Em suma, eu não recomendaria este livro para ninguém! Talvez, para uma porção bem específica de pessoas: se você é cristão e não se importa em ler uma versão que muda alguns (poucos) detalhes da história bíblica, se gosta de ufologia e de sci-fi e tem MUITO (mais muito mesmo!!) interesse pelos costumes de Jerusalém do ano 30, esse livro é para você !! TS: Hypnos 69 - Legacy (2010)
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