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    O Marido Complacente -

    Marquês de Sade

    L&PM
    1985
    144 páginas
    4h 48m
    ISBN-10: 8525400440
    Português Brasileiro
    3.6
    253 avaliações
    Leram454Lendo20Querem229Relendo0Abandonos12Resenhas13
    Favoritos1Desejados229Avaliaram253

    Num raro ensaio sobre a arte da escrita, o Marquês de Sade prescrevia aos postulantes que um escritor deve "pintar os homens tais como são". Na vida e na literatura o Marquês foi coerente. Se por um lado passou a vida em prisões, pagando por crimes de licenciosidade, perversões sexuais, violência sexual etc., etc., por outro lado legou à história uma obra ampla e complexa, testemunha de seu tormento e de qualidade inquestionável. Donatien Alphonse-François, o Marquês de Sade, nasceu em Paris em 1740 e morreu no sanatório de Charenton em 1814. Escreveu, entre outros livros, Diálogo entre um padre e um moribundo (1782), Os 120 dias de Sodoma (1785), Os infortúnios da virtude (1788), La philosophie dans le boudoir (1795), Crimes do amor (1800). Este O marido complacente é uma reunião de contos escritos com exímia técnica – uma característica do Marquês – e uma amostra fiel de seu universo literário e pessoal. Historietas "A serpente" "A gasconada" "Abençoada simulação" "O rufião punido" "O bispo atolado" "O fantasma" "Os oradores provençais" "Vai assim mesmo" "O marido complacente" "Aventura incompreensível atestada por toda um província" "A flor do castanheiro" Contos e exemplos "O preceptor filósofo" "A pudica ou o encontro imprevisto" "Emília de Tourville ou a crueldade fraterna" "Augustina de Villeblanche ou o estratagema do amor" "Faça-se como requerido" "O presidente ludibriado" "Telião" "O corno de si mesmo ou a conciliação inesperada" "Há lugar para dois" "O marido castigado" "O marido padre – Conto provençal" "A castelã de Longeville ou a mulher vingada" "Os gatunos"

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    Resenhas (13)Ver mais
    André Crespo Machado picture
    André Crespo Machado10/12/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Sarcástico, irônico e completamente amoral

    Penso que as palavras acima definem melhor o que esse livro foi para mim. Não que eu não tenha gostado; pois gostei muito! Não foi aquele sadismo todo que aguardava ansiosamente, mesmo assim, dei boas risadas com algumas coisas, além de ter apreciado a forma livre e sem enrolações com que o Marquês escreve. Logo no primeiro conto, levei um susto com a maneira simples, rude e direta com que Sade me contava a história. Depois de recomposto, me acostumei às suas narrativas, secas em si, e sem nenhuma pomposidade. Esperava algo mais trabalhado, e encontrei, surpreendetemente, histórias cheias de humor sagaz, uma ironia que não poupava a ninguém e um sarcasmo divertido. Penso que seu ponto alto foi o conto "O Presidente Ludibriado". Cheguei a dar tantas risadas, a ponto de sair do lugar onde estava lendo para não me acharem louco. Sade fala da história de um juiz que se casa com uma linda e rica senhorita. Como esta não gostou nem um pouco dessa união, fará de tudo - com a ajuda da irmã e cunhado - para que o casamento acabe. É hilário como ele se dá mal todas as vezes que tenta fazer valer sua "masculinidade" com sua mulher. Nunca vi alguém se dar tão mal, ser tão sem sorte como ele o foi! Se se quer dar risada, é obrigatória a leitura desse conto. Outros que gostei muito foram "Vai assim mesmo", "Os Oradores Provençais", "A Flor do Castanheiro", além do já citado acima. Nestes, Sade não perdoa ninguém, desde juízes a padres, principalmente este último, o qual ele adora ridicularizar. Principalmente seu "mui" prezado gosto por meninas e meninos "na flor da idade". Quem se acha politicamente correto - leia-se puritano - nem chegue perto desse autor totalmente desavergonhado, que coloca a moral no lugar mais longe possível. Agora, se é daqueles que gosta de ler coisas diferentes e não tem preconceito a nenhum tipo de leitura, pode ler que se divertirá muito! Agora, uma das partes hilárias desse ótimo livro: "Mas conheço esse cheiro, mamãe. Seu abade, me diga, que mal há em afirmar que eu o conheço? Srta. - intervém o abade, arrumando a gola e aflautando a voz - , por certo o mal em si mesmo é pouca coisa, mas acontece que estamos embaixo de castanheiras, e que nós, interessados em botânica, admitimos que a flor de castanheiro... Sim, a flor do castanheiro... Bem, srta., é que ela cheira a esperma. ("A Flor do Castanheiro") "Na verdade não maior que o meu - diz Franville, com profundo desprezo. Uso um disfarce que pode seduzir os homens, de que gosto e ando atrás, e não encontro senão uma puta. Puta não - diz amarga Augustina. - Nunca fui na vida. Quando se detesta os homens, não se pode ser chamada assim. Como, é mulher e detesta os homens? E pela mesma razão que você é homem e aborrece as mulheres". (Augustina de Vileeblanche ou O Estratagema do Amor".

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