gatilhos: ansiedade, tentativa de suicídio, depressão, abuso parental, abuso físico.
Theo miraculosamente sobrevive à um atentado que mata sua mãe. Abandonado pelo pai ele é acolhido pela familia de um amigo, mas a sensação de não ter mais sua mãe com ele é mais forte que tudo. A única coisa que o transmite um pouco de lembrança dela é uma pintura que ele roubou do museu do atentado, conforme ele cresce a busca das autoridades (e de bandidos) por essa antiguidade se torna cada vez maior, colocando Theo em um labirinto perigoso.
Poucas narrativas transmitem o que 'O Pintassilgo' transmite. Donna Tartt escreve esse livro com uma narrativa profunda, densa e ao mesmo tempo extremamente fluida ainda que com capítulos gigantescos.
Mesmo lenta, a escrita consegue transmitir perfeitamente o fluxo de pessoas entrando e saindo da vida Theo e como isso o acaba por moldar sua personalidade e atitude, a pintura que deveria ser uma peça central é apenas um dos elementos que fazem essa história ser incrível e única.
'O Pintassilgo' faz passar raiva, emociona, deixa sem fôlego e permeia entre um drama e algo cheio de tensão de forma espetacular, seus personagens criam vida nas páginas e transmitem os mais mistos sentimentos pra quem os lê.
Acompanhar a história de Theo foi uma das melhores decisões desse ano, vê-lo crescer e ver como o homem influencia a sociedade ao mesmo tempo em que a sociedade influencia o homem foi incrível. O que me fez tirar uma estrela foi o fato de, em determinado momento na vida adulta, o livro ter ficado meio monótono. Entendo que foi uma escolha narrativa plausível para o que acontecia ali, mas achei que não foi aproveitada do jeito certo.