No dia 27 de setembro de 1986, um dos maiores músicos de todos os tempos teve sua vida precocemente interrompida. Aos 24 anos, Cliff Burton, baixista do Metallica, morreu em um acidente de ônibus na Suécia durante uma turnê da banda pela Europa. O Metallica seguiu sua história, mas ela ficou marcada para sempre. Nas páginas desta biografia, você verá um relato de genialidade e tragédia, e conhecerá mais sobre o hippie no meio dos metalheads, seu papel na banda e como ele influenciava os outros integrantes, em um retrato íntimo e revelador desse gigante do thrash metal por meio de depoimentos de amigos e de pessoas que conviveram com ele. Cliff Burton: a vida e a morte do baixista do Metallica traz uma nova visão sobre o período mais criativo da banda e sobre seu mito, de uma maneira que você não esquecerá jamais.
Cliff Burton - A Vida e a Morte do Baixista do Metallica
Joel McIver
Queria ser amiga de Cliff Burton
Gostar de Metallica é gostar de Cliff Burton, o baixista que marcou a história da banda, apesar do destino ter permitido que ele participasse da gravação apenas dos três primeiros álbuns e morresse em um acidente de ônibus, em 1986, enquanto a banda se aventurava por uma turnê pela Europa. Em 2014, Joel Mciver lançou Cliff Burton, A vida e a morte do baixista do Metallica, com a promessa de fazer jus ao nome e lembrança do músico. O livro, que segue a ordem cronológica, apresenta desde como era sua família até seu último feito em vida, Master of Puppets, terceiro álbum do Metallica. Nascido em 10 de fevereiro de 1962, perto de São Francisco, Califórnia, o filho de uma Professora e um Engenheiro de estradas, pertenceu a uma família que nunca mediu esforços para que ele pudesse correr atrás de seus sonhos. De personalidade forte e ouvinte de Bach, o baixista levou para a banda, em 1982, suas influencias e conhecimento sobre teoria musical, carregados durante uma vida toda, pelo hippie de cabelos compridos. A partir daí, o Metallica começou a seguir um caminho trilhado por bebidas e headbangers, até o momento da gravação de seu terceiro álbum, quando a banda já começava a sentir a grandiosidade chegando. "Após o show em Estocolmo, a banda e a equipe subiram a bordo do comboio de dois ônibus e um caminhão, deixando a casa de shows separadamente num período de algumas horas. A banda foi dormir durante uma viagem noturna até o próximo show em Copenhague - uma tarefa sempre difícil, pois as camas eram essencialmente pranchas cobertas com placas de espuma. Sempre houve o rumor de que para decidir quem ficaria com a cama que era um pouco mais confortável que as outras, Kirk e Cliff disputaram nas cartas de baralho. Mas nunca foi confirmado se isso realmente aconteceu - até agora. "É completamente verdade", Kirk confirma para mim. "Aconteceu mesmo. Mais uma dessas coisas estranhas, irônicas, que o destino cospe em sua cara. Foi quase um prenúncio do que estava para acontecer." Cliff ficou com a cama do lado direito do ônibus, perto de uma janela. O ônibus ressoou em direção ao interior sueco." (p. 149) Inúmeras características ficam marcadas no livro, fazendo a imagem de Cliff Burton se firmar para o leitor. Entre elas, humildade, na medida em que aqueles ao seu redor sempre o ouviram pedido que nunca o chamassem de “estrela” do rock. Cliff destoava dos demais quando vestia suas calças boca de sino, nunca ligando para as brincadeiras sobre sua aparência em um palco de heavy metal dos anos 80. A personalidade forte, sempre como juiz das situações, tendo sua opinião sempre respeitada, transparece um Cliff sério, bem a frente de seu tempo. O livro é repleto de comentários. Seus pais, sua namorada, membros da banda e amigos, recriam a imagem de um cara simples, trazendo para o leitor a sensação de que ser amigo de Cliff Burton era legal. Todo o seu conhecimento musical, passado aos integrantes da banda, se comprova na medida em que todos justificam que sem ele o som do Metallica seria diferente. O livro peca, no entanto, quando as suposições começam. O Metallica seguiu seu caminho sem Cliff Burton e gravou outros álbuns, fez outras músicas e se distanciou, por vezes, do Trash Metal, estilo bem marcado na era Cliff. E quando se tem um ponto de referencia como o baixista é, e sempre foi, a ver por essa biografia, o autor começa a indagar como seriam as coisas se ele ainda estivesse vivo. Assim, as escolhas da banda começam a ser julgadas com o pensamento de que Cliff teria aprovado ou não tais atitudes. Sem as suposições sobre o que Burton pensaria ou como ele agiria, sua história teria sido contada de maneira mais especial, baseada apenas nas grandes coisas que ele fez, sem tomar espaço para imaginar aquilo que ele teria feito. O tempo passa, as coisas mudam e afirmar, como por vezes o autor fez, as aprovações ou desaprovações por parte de Cliff, é brincar com a história. Apesar disso, o livro é um marco, pois conta a vida de um dos maiores baixistas do mundo de maneira simples, conseguindo transmitir a segurança que sua figura significava para a banda e, se há uma certeza quanto a esse livro, é que Cliff Burton não deveria ter morrido.
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