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    Nossa Teresa - Vida e morte de uma santa suicida

    Micheliny Verunschk

    Patuá
    2014
    192 páginas
    6h 24m
    ISBN-17: 978-85-8297-121-5
    Português Brasileiro
    3.8
    53 avaliações
    Leram76Lendo5Querem83Relendo0Abandonos1Resenhas7
    Favoritos3Desejados83Avaliaram53

    Ora, se nunca se anunciara com tal fervor a existência de santos suicidas é que nunca antes se oferecera o patronato de um desses santos aos próprios suicidas. Nunca existira um alguém a quem se interceder por essas almas. Alguém que soubesse na carne e no espírito os caminhos e descaminhos que levam ao ato extremo. E é a história desse santo, sua vida e morte, seu polêmico percurso, que aqui se vai relatar. Melhor dizendo, dessa santa, porque cabe às mulheres desde sempre, de Pandora à Eva, a faísca e a subversão, a quebra de valores, a assumida falta de pudores e um extremo gosto pela transgressão. Advirto, porém, que não me venha tomar o leitor como panfletário, um vulgar levantador de bandeiras. Tão somente conto histórias das quais apenas ouvi falar ou que, quando muito, tive discreta, quase despercebida participação. Sou um velho que muito já viu e viveu e que nem sempre consegue escolher ou esconder simpatias e antipatias. Mas garanto que apenas dou conta do que todos dizem ou sabem, embora às vezes finjam que não disseram ou soubessem. E é esse o meu ofício de narrar. Poderia ser outro, mas é esse e dele me agrado.

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    Berttoni Licarião picture
    Berttoni Licarião10/06/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Leitura 34 de 2021 Nossa Teresa: vida e morte de uma santa suicida [2014] Micheliny Verunschk (PE, 1972-) Patuá, 2014, 192 p. Há romances que nos conquistam pelas histórias que contam, outros tantos que despertam a curiosidade por uma premissa diferente. Há aqueles que se tornam favoritos por conta de personagens cativantes, e mais outro bocado a atrair leitores por seus temas necessários e inadiáveis. Em meio a tantas formas de nos seduzir pela leitura uma espécie de livro me atrai em especial: aquela em que o narrador rouba toda a cena ainda que nunca (ou quase nunca) dê as caras na narrativa, ou seja, com pouca ou nenhuma participação ativa nos desdobramentos do enredo. “Nossa Teresa”, primeiro romance de Micheliny Verunschk e vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura em 2015, faz parte dessa última linhagem. Ciente de seus leitores irritadiços, exigentes e/ou impacientes, quem conta a história de “Nossa Teresa” (um senhor de estirpe cabriolenta e revoltada, filho da galhofa do Machado e do desassossego saramaguiano) compõe a narrativa “como pás de terra sobre um vivo”. A vidamorte dessa jovem que tem visões de Nossa Senhora, realiza milagres e cujo suicídio é responsável por alçar o padre Simão da cidade de V. à cadeira de sumo pontífice da Igreja, é contada, portanto, como um espelho partido, em que “cada fragmento contém Teresa total, mas o ajuntamento de todos os pedaços nunca poderia dizer de fato quem ela é ou foi”. Entrelaçando tempos, lugares e o gosto pelas verdades plurais, o romance mostra o jogo de poder por trás da religião em suas múltiplas faces, do sebastianismo ao terrorismo da jihad. Na prosa de ficção de Verunschk o tempo é raramente um elemento linear da narrativa, tanto no sentido do embaralhamento dos presentes quanto no da coexistência de temporalidades que se retroalimentam. Uma profissão de fé a nos lembrar que o traçado distintivo entre passado e presente não é absoluto e o trabalho do tempo, na verdade, é o de desestabilizar a distância entre memória e vivência, experiência e relato, verdade e elaboração. "Tudo", afinal, "é invenção ou reconstrução ou armadilhas difusas da congregação dos vários pontos de vista".

    9 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.8 / 53
    • 5 estrelas19%
    • 4 estrelas40%
    • 3 estrelas32%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas0%
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    Micheliny Verunschk

    Possui graduação em História (AESA-PE), Mestrado em Literatura e Crítica Literária (PUC-SP) e Doutorado em Comunicação e Semiótica (PUC -SP). É pesquisadora dos grupos de pesquisa "Comunicação e cultura: barroco e mestiçagem", e do Centro de Estudos da oralidade, ambos do Programa de Comunicação e Semiótica da PUC SP. Atuou na área de Comunicação do Instituto Itaú Cultural e nas áreas de programação cultural da Casa das Rosas e Biblioteca São Paulo. É escritora com onze livros de prosa e poesia publicados e tem experiência em jornalismo cultural, produção cultural e na coordenação editorial de materiais de apoio ao professor e catálogos de artes. Ganhadora dos Prêmio Jabuti e Oceanos de Literatura na Categoria Romance do ano de 2022. É palestrante convidada para eventos referentes à cultura e literatura brasileira contemporânea. Atua principalmente nas áreas de comunicação, história, literatura brasileira e portuguesa, poesia, prosa e cultura.

    23 Livros
    65 Seguidores
    Pernambuco, Brasil

    Micheliny Verunschk