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    A balada de Adam Henry -

    Ian McEwan

    Companhia das Letras
    2014
    200 páginas
    6h 40m
    ISBN-13: 9788535925135
    Português Brasileiro
    3.8
    1655 avaliações
    Leram2438Lendo113Querem1321Relendo1Abandonos23Resenhas131
    Favoritos101Desejados1321Avaliaram1655

    Neste romance sombrio e poderoso, uma juíza em meio a uma crise familiar se deixa envolver por um garoto culto e sedutor. Poucos autores de língua inglesa são mais importantes na atualidade do que Ian McEwan. Em quarenta anos de carreira, ele compôs marcos da literatura contemporânea, como Amor sem fim (1997), Amsterdam (1998) e Reparação (2001). Seus livros são conhecidos pela precisão da prosa, pela atmosfera de suspense e estranhamento e também pelas viradas surpreendentes da trama, que puxam o tapete do leitor ao final do livro. Nos últimos anos, o traço decisivo de sua literatura tem sido a defesa da racionalidade científica contra os fundamentalismos religiosos. É esse o embate que está no cerne de A balada de Adam Henry. A personagem central é Fiona Maye, uma juíza do Tribunal Superior especialista em Direito da Família. Ela é conhecida pela “imparcialidade divina e inteligência diabólica”, na definição de um colega de magistratura. Mas seu sucesso profissional esconde fracassos na vida privada. Prestes a completar sessenta anos, ela ainda se arrepende de não ter tido filhos e vê seu casamento desmoronar. Assim que seu marido faz as malas e sai de casa, Fiona tem de lidar com o caso de um garoto de dezessete anos chamado Adam Henry. Ele sofre de leucemia e depende de uma transfusão de sangue para sobreviver. Seus familiares, contudo, são Testemunhas de Jeová e resistem ao procedimento. O dilema não se resume à decisão judicial. Como nos demais casos que julga, Fiona argumenta com brilho em favor do racionalismo e repele os arroubos do fervor religioso. Mas Adam se insinua de modo inesperado na vida da juíza. Revela-se um garoto culto e sensível e lhe dedica um poema incisivo: A balada de Adam Henry. Os sentimentos despertados pelo garoto a surpreendem e incomodam. A crise doméstica e o envolvimento emocional com Adam - que oscila entre a maternidade reprimida e o desejo sexual - desarrumam sua trajetória de vida exemplar, trilhada com disciplina espartana desde a infância.

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    Rodrigo Pamplona15/11/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um livro crítico-reflexivo (Sem Spoilers)

    Título: A Balada de Adam Henry Título original: The Children Act Autor: Ian McEwan Editora: Companhia das Letras Número de páginas: 200 Somente um escritor verdadeiramente talentoso poderia colocar tantas questões éticas em um único livro e, ainda assim, torná-lo uma leitura prazerosa e acessível. "A Balada de Adam Henry" fala sobre uma juíza especializada em casos familiares chamada Fiona Maye. Ela precisa decidir se Adam, um adolescente de 17 anos com leucemia, deve receber uma transfusão de sangue que seus pais, como Testemunhas de Jeová, recusam por motivos religiosos. Enquanto lida com essa decisão, Fiona enfrenta uma crise em seu casamento e reflete sobre questões de moralidade, fé e responsabilidade. Uma das primeiras coisas que me impressionou neste livro foi a escrita. Utilizando-se de uma narrativa em terceira pessoa, Ian McEwan constrói personagens profundos e insere-os em dilemas que colocam o leitor bem no meio de conflitos universais sobre escolhas e consequências. A maneira como a narrativa é construída comprova o que sinto sempre que um livro deste autor cai em minhas mãos: McEwan tem a destreza e o ofício necessários para criar qualquer coisa, de qualquer maneira, e transpô-la em palavras com a facilidade de quem aperta um tubo de pasta de dente. É um espetáculo. Tudo parece real e não há falhas, a trama não permite. Envolvente desde a primeira página, profundamente perspicaz, comovente e desafiador com uma escrita sublime e elegante, com conflitos inesperados e difíceis entre personagens imperfeitos e assombrados, em pouco mais de 200 páginas todas essas características de McEwan se tornam evidentes. Escrever sobre tantas coisas de maneira tão compacta é prova cabal de um escritor de qualidade. Sendo completamente honesto, devo confessar que sou um grande admirador de Ian McEwan e tenho pressa em ler cada livro novo dele que é lançado. Seja com uma linha do tempo comprimida (Sábado) ou estendida (Reparação) ou em algum lugar entre um e outro (Na Praia), nenhum outro escritor que conheço é um mestre tão grande do momento crucial, quando o personagem toma uma decisão fatídica que muda para sempre o futuro. Uma história fascinante e lindamente escrita sobre a lei e sobre personagens com os quais o leitor facilmente consegue se relacionar. Este não é um livro que vai te fazer sorrir, mas certamente vai te fazer pensar. Em última análise, é uma história triste, mas edificante, sobre as possibilidades e a resiliência humanas. No final, pode-se dizer que a decisão de vida ou morte de Fiona, que é completamente sólida e baseada na lei, leva a ambos. Talvez essa seja a ironia final não só do livro, mas da vida em si. Leia. Leva 5 de 5 estrelas.

    23 curtidas

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    3.8 / 1655
    • 5 estrelas19%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas1%
    Ian Russell McEwan profile picture

    Ian Russell McEwan

    Ian McEwan é considerado um dos grandes nomes da ficção britânica contemporânea. Seu primeiro livro, <i>First love, last rites</i> (1975), ganhou o prêmio Somerset Maugham. É conhecido pela inventividade com as palavras e pelo gosto de usar a mecânica dos thrillers como crítica social. Ao longo de sua carreira foi indicado diversas vezes para receber o Booker Prize, o mais prestigiado prêmio literário britânico, o que veio ocorrer em 1998 com o livro <i>Amsterdam</i> (1998). Sua obra é famosa pelo realismo psicológico, com rigor de detalhes e clima ameaçador, explorando com frequência temas complexos como escolha ética, decisões difíceis e circunstâncias extraordinárias.

    60 Livros
    507 Seguidores
    Hampshire, Inglaterra

    Ian Russell McEwan