Acho que a mensagem principal desse livro é nos fazer refletir sobre nossa posição no mundo, diante de nossa própria cultura e diante da cultura desconhecida.
Um menino órfão, nascido e criado em ambiente hostil, em meio a marinheiros e prostitutas, decide aventurar-se numa viagem de expedição das terras recém descobertas na América.
Sem referências de acolhimento, vive com os marinheiros e, logo após, com os nativos, ao ser capturado.
Há muitos aspectos marcantes nesse livro. As flechas na garganta dos europeus, simbolizando o silenciamento do homem branco. O acolhimento que o personagem recebe dos indígenas culmina na sua mudança de perspectiva conforme o tempo que passa com os nativos. Mesmo com a sensação que sempre o perseguiu, a de não pertencer a nenhum lugar, se vê parte de uma família.
Viver com o diferente o faz questionar o comum, o conhecido, o faz entrar em atrito com suas referências culturais e, quando ele é levado de volta ao mundo europeu, se torna um estranho. Após passar por inúmeras representações de sua própria história, contempla e repensa o vivido ao escrever suas memórias.
O livro bom, mediano, mas que em uma primeira leitura para a disciplina de Literatura Comparada da faculdade não me cativou tanto. Pretendo reler daqui uns anos para ver se minha concepção muda.