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    O que é a filosofia antiga? -

    Pierre Hadot

    Edições Loyola
    1999
    424 páginas
    14h 8m
    ISBN-13: 9788515017850
    Português Brasileiro
    4.4
    53 avaliações
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    O que é a filosofia antiga? pretende descrever em traços gerais e comuns o fenômeno histórico e espiritual que representa a filosofia antiga. Por que nos limitar à filosofia antiga, tão distante de nós? Há várias respostas a dar. Em primeiro lugar, é um domínio no qual espero ter adquirido certa competência. Em segundo lugar, como disse Aristóteles, para compreender as coisas é necessário vê-las enquanto se desenvolvem, é preciso apreendê-las em seu nascimento. Se agora falamos de “filosofia” é porque os gregos inventaram a palavra philosophia, que significa “amor pela sabedoria”, e porque a tradição da philosophia grega foi transmitida à Idade Média e posteriormente aos tempos modernos. Trata-se de apropriar-se do fenômeno em sua origem, sempre tendo consciência de que a filosofia é um fenômeno histórico que teve início no tempo e evoluiu até nossos dias. A filosofia antiga é aqui exposta não como sistema, mas como exercício preparatório para a sabedoria, como askesis espiritual. A filosofia surge sempre, desde os pré-socráticos, passando por Sócrates e Platão, até os primórdios do cristianismo, de uma opção por um modo de vida, por uma visão global do universo, numa decisão voluntária de viver o mundo com os outros, em comunidade ou escola. Dessa conversão do indivíduo surge o discurso filosófico, que dirá a opção de existência como representação no mundo.

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    Aline de Jesus22/05/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Filosofia Antiga

    Um dos melhores livros sobre filosofia antiga que já li (tirando os clássicos). Pierre Hadot conseguiu externar aquilo que é a essência dos antigos: viver e saber porquê. Grandioso!

    5 curtidas

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    Pierre Hadot profile picture

    Pierre Hadot

    Nascido em 21 de fevereiro de 1921 na França, Hadot recebeu uma educação católica, o que o levou a seguir a vida religiosa, tendo sido ordenado sacerdote em 1944. Todavia, por desavenças teóricas e por querer se casar, deixou o sacerdócio em 1952. Pierre Hadot é considerado um dos expoentes da intelectualidade francesa, tendo influenciado, inclusive, Michel Foucault1. Filólogo e filósofo foi diretor da École des hautes études en sciences sociales (EHESS) e professor no Collège de France, em que ocupava a cadeira de História do Pensamento Grego e Romano, passando ser professor honorário a partir de 1991. Escreveu diversas obras, dentre elas: O que é a Filosofia Antiga?; O véu de Isís; Elogio da Filosofia Antiga; Elogio de Sócrates; Wittgenstein et les limites du langage2; dentre outros. Hadot defendia que a leitura de obras filosóficas da antiguidade clássica deveria ser feita sob uma mudança de perspectiva, deveria ser a prática de exercícios espirituais3, uma vez que a Filosofia era um modo de vida, e quem a seguisse era tão filósofo quanto àquele que a escrevera, que a defendera. Assim, quem vivesse de acordo com os preceitos dos escritos filosóficos, filósofos também o seriam. A Filosofia na antiguidade clássica não era somente uma construção teórica, mas um método de formação de pessoas para viver e perceber o mundo sob um novo paradigma. Dessa maneira, o filósofo francês advogava pela Filosofia como modo de vida, e assim o tentou fazer durante sua vida. A filosofia antiga propôs à humanidade uma arte de viver, por outro lado, a filosofia moderna aparece, sobretudo, como a construção de um jargão técnico reservada a especialistas. Defendendo, então, que somente aquele que é capaz de um verdadeiro encontro com o outro é capaz de um encontro autêntico consigo mesmo. O grande interesse de Hadot pelo misticismo o levou a estudar Plotino, e, em apenas um mês, escreveu uma das obras de maior referência sobre o filósofo neoplatônico. Todavia, após esse mês de reclusão (optativa) para escrever o livro, o estudioso, ao se defrontar com o mundo atual, percebeu que o modo de vida defendido por Plotino não era possível neste mundo.4 Além de estudioso dos filósofos da antiguidade, Hadot foi um dos primeiros a introduzir o estudo de Ludwig J.J. Wittgenstein na França.5 Por seus estudos do Tractatus, Hadot depreendeu que a linguagem não seria apenas para designar objetos ou traduzir pensamentos, mas seria como o ato de compreender um tema musical. Isso o ajudou, de certa forma, a entender melhor os autores antigos, pois parecia a ele que tais filósofos não queriam apenas informar conceitos, mas fornecer-lhe exercícios. Haveria de substituir os discursos filosóficos pelas situações concretas de cada um. Hadot tenta mostrar, pelo estudo de Wittgenstein, que os problemas filosóficos surgem da confusão dos diferentes jogos de linguagem, que permitem à Filosofia compreender alguns aspectos de sua própria história, e como resultado, compreender a si próprio. Hadot, casado duas vezes, acreditava que a filosofia deveria ser um modo de vida, e não apenas uma concepção teórica, distante de nossas vivências, e, por isso, buscou segui-la e vivê-la. Faleceu na noite de 24/25 de abril de 2010. 1 A obra que mais impressionou Foucault foi o livro “Exercícios espirituais e a Filosofia Antiga”, e, em razão disso, convidou Hadot a propor sua candidatura para uma cadeira no Collège de France. 2 HADOT, P. Wittgenstein e os limites da linguagem. Trad. Loque, Flavio e Oliveira, Loraine. São Paulo. Ed. É Realizações (no prelo). 3 Atividade (racional ou imaginativa) que visa modificar (em si ou em outros) a maneira de ver o mundo. 4 Hadot, depois desse mês de reclusão, foi à padaria fazer compras e, para ele que estava enfronhado nas ideias de Plotino, percebeu que as ideias defendidas pelo filósofo neoplatônico não eram possíveis de serem seguidas, o que, de certa maneira, o deixou desolado, 5 Apesar de seu interesse por Wittgenstein, Hadot nunca havia estudado lógica. Pólemos, Brasília, vol. 2, n. 3, Julho 2013

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