O declínio do homem público -

    Richard Sennett

    Record
    2014
    532 páginas
    17h 44m
    ISBN-13: 9788501400949
    Português Brasileiro

    O desequilíbrio da civilização moderna pelo autor de A corrosão do caráter. Da sociedade urbana do século XVIII ao mundo em que vivemos agora, incluindo o declínio da participação na vida política nas últimas décadas, Richard Sennett, um dos mais instigantes sociólogos da atualidade, acompanha as causas da nossa decrescente participação nas questões sociais. Neste clássico estudo indispensável sobre o desequilíbrio da civilização moderna, ele nos oferece uma perspectiva fascinante sobre a relação entre a vida pública e o culto ao indivíduo e ao individualismo.

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    Carla Flores26/01/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Sociedade teatralmente narcísica

    Sennett explora a erosão da vida pública e a ascensão do individualismo narcísico na sociedade moderna. Ele traça um panorama histórico que vai do século XVIII até meados do século XX, revelando as complexas relações entre indivíduo e sociedade, e as consequências da crescente primazia da vida privada sobre a vida pública. Ele argumenta que a privatização da personalidade e a busca por intimidade estão destruindo a capacidade das pessoas de interagir de forma significativa no espaço público. Richard cita alguns exemplos de isolamento social e inibição de sentimentos a partir de construções como o Lever House, o Dèfense e o Brunswick, onde o uso de paredes de vidro unem interior ao exterior mas as áreas de uso comum, como praças, bancos e sacadas, são convidativas apenas a passagem, não à permanência. A vida pública está sendo esvaziada de sentido, à medida que as interações com estranhos se tornam ameaçadoras e o isolamento se torna regra. Como essas alterações vão se mesclando, embora muitos achassem que encerraram uma e começaram outra sociedade. Aumentou a preocupação com questões relacionadas ao eu, transformando associações sociais em estritamente íntimas. Em suma, para uma crise social ser resolvida é preciso que a personalidade da pessoa se sobreponha à causa. Quando o individual deu lugar ao coletivo, quando a individualidade foi posta de lado, tornando o indivíduo não um grão de areia na praia, mas a praia propriamente dita. Sennett usa muito da analogia do teatro para explicar como somos atores da vida real. E como os atores por profissão são avaliados não só por suas performances, mas por quem são na vida real. A busca por intimidade e autenticidade está levando as pessoas a se concentrarem em sua própria personalidade, em detrimento da interação social. Alguns pontos negativos são que Sennett não questiona a civilização e o modo de vida urbano como fontes da erosão da vida pública, usando o Antigo Regime como modelo. Além de oferecer uma visão otimista da urbanidade, sem considerar a violência e o interesse comercial que sempre acompanharam a formação das cidades. É uma obra que destaca a importância da vida pública e da interação social. Sendo útil para estudantes de filosofia, urbanismo, política e sociologia.

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