Um dos sintomas da crise intelectual de nosso mundo reside no fato de não pôr-se explícita e lucidamente em questão. De um modo geral, os grandes desafios ficam fora de todo fim racional ou razoavelmente discutível. Nessas condições, torna-se um lugar comum se dizer que a atividade do intelectual consiste num trabalho crítico, na medida em que deve quebrar todas as evidências, denunciar tudo o que parece impor-se como 'normal' ou 'natural' e não pode renunciar ao saber sem abandonar o que faz dele um livre autônomo. Diante da incapacidade da sociedade contemporânea de criar novas significações sociais e de pôr-se a si mesma em questão e suas próprias instituições, compete ao filósofo, além de impedir que a questão da liberdade se subordine à do progresso das ciências, tentar criar novos pontos de vista e novas idéias, mesmo a partir de questões bastante antigas, mas ainda atuais e desafiadoras, como a que opõe verdade e relativismo.
Nem Tudo é Relativo - A Questão da Verdade
Hilton Japiassu
Letras & Letras
2001
272 páginas
9h 4m
ISBN-13: 9788585387952
Português Brasileiro
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