Uma História da Terra e do Mar -

    Katy Simpson Smith

    Globo Livros
    2014
    226 páginas
    7h 32m
    ISBN-13: 9788525058140
    Português Brasileiro

    O viúvo John vive com sua filha Tabitha em uma cidadezinha costeira da Carolina do Norte. Com a morte de sua esposa ao dar à luz, ele se vê diante de diversas dificuldades. Criar uma menina de 10 anos sozinho, adaptar-se novamente à vida em terra e conviver com a dor da perda. No entanto, o maior desafio deste ex-pirata é lidar com seu sogro, Asa, um rico proprietário rural que o culpa pela morte da filha. Com apenas 28 anos, a escritora Katy Simpson Smith criou uma história envolvente sobre relações entre pais e filhos, ambientada nos Estados Unidos pós-guerra de independência. Considerado uma das melhores estreias literárias de 2014 pela BBC Culture e pela Oprah Magazine, Uma história da terra e do mar vai de além de uma narrativa sobre conflitos de geração e a dor da perda, apresentando aos leitores como era a vida na América do fim do século XVIII. A escritora usou sua experiência como historiadora e pesquisadora para escolher em qual momento situar o romance, incorporando a formação dos EUA como nação, as navegações e a escravidão à trama. O romance é dividido em três partes. A primeira se passa em 1793. John e Tabitha vivem em Beaufort. Asa procura se manter próximo da neta, embora discorde da forma como o genro decide criá-la. Quando a menina contrai febre amarela, John resolve embarcar com Tabitha em um navio, na esperança de que a vida no mar recupere a saúde de sua filha. A segunda parte é dedicada à vida Helen, a filha única de Asa, a quem ele deseja passar o controle de sua fazenda. Em seu aniversário de dez anos, ela recebe de presente uma escrava, Moll, com quem mantém uma amizade que oscila entre a cumplicidade e a tensão que marca a convivência entre senhores e escravos. A figura de Helen está presente em todo o romance, nas lembranças de John e de Asa, nos questionamentos de Tabitha sobre como seria sua mãe. A terceira parte narra o retorno de John com a filha a Beaufort em 1794, seu reencontro com Asa e as consequências de sua viagem. Com belas descrições e uma prosa fluída, Uma história da terra e do mar trata dos conflitos de gerações, do luto e da esperança mesmo em circunstâncias extremas.

    Resenhas (5)Ver mais
    Luciana Klanovicz picture
    Luciana Klanovicz25/04/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma história de luto entrelaçada pela escravidão

    Katy Simpson Smith traz uma história em descontinuidade que pode confundir uma leitora ou leitor desavisado e este pode ser o principal problema do livro. Outro ponto que desfavorece é que o protagonismo desliza entre as personagens que nos arrasta entre as narrativas individuais sem deixar claro quem assume a narrativa. Isto acontece até o final do livro, que por este motivo, acaba ficando sem uma conclusão adequada, o que tornaria o livro mais claro. Para mim a escravidão atravessa todas as relações e ela seria uma esteira narrativa mais aproveitada se tivesse uma linha mais clara neste sentido. No entanto, tem pontos que eu gostaria de destacar para um livro que começa com uma grande descrição das dores que cercam o luto e também as perdas mais recentes. É uma narrativa sobre a ausência, sobre as lembranças evocadas pela paisagem, quase imutável. O que muda verdadeiramente é o corpo, falho diante das vicissitudes da vida das mulheres, como o parto. Essa inevitável realidade se mostra em diferentes níveis, e este é um ponto alto do texto. Como a vida das mulheres estava ligada a uma possibilidade sempre real de perda. O que para as mulheres escravas como Moll se acrescentam outras camadas ainda mais duras. O corpo não é delas, já que a gravidez é fruto das relações nem sempre consensuais, de casamentos nunca consultados. Para as mulheres brancas tampouco. É final do século XVIII em meio às batalhas da Independência dos Estados Unidos e a maneira como a autora narra o pano de fundo é fantástica. Indico a obra para leitoras e leitores que se desprendam das propostas narrativas comuns; para aproveitar a jornada da leitura, por vezes dolorida, é preciso de desvencilhar das fórmulas e abraçar uma aproximação histórica poética.

    5 curtidas

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