O Sr. Ganimedes -

    Alfredo Gallis

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    2014
    184 páginas
    6h 8m
    ISBN-13: 9789898575432
    Português

    Lígia casa-se por interesse com um rico comerciante que fez fortuna no Brasil, bastante mais velho que ela. Respeita-o, mas não o ama. Quando fica viúva, aos 32 anos de idade, regressa a Portugal e perde-se de amores por Leonel, que conhecera de criança, quando era tímido e efeminado, mas que agora crescera para se tornar num esbelto e elegante jovem que fazia suspirar as donzelas. Acontece que Leonel estava apaixonado por Liberato, um homenzarrão rude e façanhudo, de farto bigode, que o gostava de ver vestido de dama fina. Publicado em 1906, este é um dos primeiros romances em português, e também um dos primeiros da Europa, que aborda abertamente a homossexualidade masculina, tomando-a para tema central do enredo.

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    Luiz Goulart24/11/2022Resenhou um livro
    1 (Ruim)

    O amante de Zeus sabe das coisas

    Romance português publicado em 1906 com o subtítulo: "Psicologia de um Efebo", foi relançado com nova introdução em que é enquadrado historicamente, destacando sua importância como literatura LGBTQ+ com análise e comentário literário. Foi inspirado pelo caso real de rapazes que desapareceram em 1886 e foram encontrados na Rua da Trombeta, onde eram obrigados a prestar serviços sexuais a homens ricos. Sr. Ganimedes (referência ao belo efebo grego por quem até Zeus se apaixonou) antecipa a questão da disforia de gênero e do erotismo do travestismo. História de Lígia, mulher que se casa por interesse com um comerciante rico e mais velho. Não há amor ou desejo entre eles, mas ao ficar viúva, ela se apaixona por Leonel, jovem esbelto e afeminado que é apaixonado pelo rude e bigodudo Liberato, que por sua vez gostava de o ver vestido como mulher. Em um trecho, o autor instiga: “A índole deste livro é avisar as mulheres e castigar os efebos pela sua falta de brio e de sentimentos”. Em outra passagem ele diz: “Leonel era um efebo por tendência moral fisiológica e educativa, enquanto Liberato era um sodomita por vesânia mental”, o que quer que isso signifique. Curioso que apesar da homofobia, nas três oportunidades que o livro tem para falar dos dois homens na alcova, ele não esconde a atmosfera quentíssima ao tratar das cenas em que três pessoas, em diferentes oportunidades, espiam o casal gay durante sexo, algo proibido, mas indisfarçavelmente saboroso já que nenhum dos outros casais do livro tem mais química do que a deliciosa dupla Leonel e Liberato.

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