Um dos maiores quadrinistas de todos os tempos encontra uma das maiores histórias da humanidade. Ao decidir recontar o caso de Jack, o Estripador, Moore toma uma atitude completamente diferente do que esperaríamos de uma narrativa de suspense e policial: desde o início já sabemos a identidade do criminoso e toda a narrativa vai sendo mostrada através dos olhos dele. Para aqueles que ainda não conhecem a história de Jack, o Estripador, este teria sido o primeiro assassino em série registrado na história, tendo matado várias prostitutas na Londres do final do século XIX. Tudo é muito bem contado e os personagens são muito interessantes. O autor nos dá um panorama da sociedade inglesa daquele tempo, que apesar do deslumbre e da riqueza acumulada com a Revolução Industrial, ainda havia uma enorme quantidade de pessoas vivendo na pobreza e tendo que ganhar a vida da melhor maneira possível (como as prostitutas de Whitechapel). A narrativa também é um espelho da sociedade atual, mostrando o sensacionalismo e a banalização da violência por parte da imprensa diante daqueles crimes. Esta é, inquestionavelmente, uma obra que marcou os quadrinhos e que merece ser redescoberta.