Meu Pé de Laranja Lima fala sobre carência.
Zezé, ou José Mauro de Vasconcelos, é um menino típico de sua idade: sapeca, agitado, e amoroso... infelizmente, seu mundo - o mundo dos adultos - está por mais destruído para conseguir receber e dar a ternura de sua pequena alma.
Sua família não passou por nada que outras tantas já não tenham passado... é a miséria que advém de uma existência levada de contracheque a contracheque. Quando um falta, todos padecem. Zezé pouco percebe esses apuros financeiros em sua inocência infantil, mas sofre, muitas vezes na pelo, o desespero e o estresse presos aos punhos de seus pais e irmãos.
É o Pé de Laranja Lima do título, personificação do que resta em Zezé da esperança, que protege o emocional da criança. Depois, surge a figura real de Manuel Valadares, o Portuga, que dá ao menino o suporte que lhe faltava. A perda dos dois é que finalmente mata o último fio ainda restava em seu coração.
É fácil ver então porque essa obra tão rica é sistematicamente ignorada pela maioria dos acadêmicos e da media: ela toca na ferida. Nós choramos por Zezé, mas apenas os adultos sentem arder na cara a vergonha dessa realidade.
Recomendo.