Pequenos Burgueses / Mãe -

    Maximo Gorki

    Abril
    1982
    537 páginas
    17h 54m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    1. PEQUENOS BURGUESES, peça em 4 atos: De um lado, estão os decadentes Bessemenov o velho Vassíli e sua esposa Akoulina, seus filhos Piotr e Tatiana pequeno-burgueses prisioneiros de mesquinharias. De outro, a felicidade contagiante de Elena, o amor ao ensino expresso pela professora Tzvetaieva, a autoconfiança apaixonada de Pólia, uma empregada doméstica, e mais o corajoso operário Nil, noivo de Pólia. Entre os dois grupos, convivem alguns personagens engolidos pelo ambiente opressivo da sociedade czarista. 2. A MÃE, romance: Baseado em fatos reais ocorridos nas fábricas de Sormovo, na Rússia tsarista, onde Gorki conheceu o operário Zamolov (Pavel Vlassov), militante revolucionário, e sua mãe, Anna (Pelagueia Nilovna), protagonistas das manifestações do 1º de Maio de 1902 e da conseqüente prisão e julgamento dos envolvidos.

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    Gabriel Alessandro dos Santos12/09/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Pequenos Burgueses/Mãe

    Pequenos Burgueses Uma das coisas que mais me chamou a atenção nessa peça foi a minha ciência de que a sinceridade, apesar de ser considerada uma virtude, deve ser usada com diplomacia. O núcleo social abordado une burgueses e a "ralé". No entanto, podemos notar que o conforto material não é suficiente para o conforto espiritual, uma vez que os burgueses são vazios e aprisionados em suas culturas preconceituosas e os "simples" são esperançosos, livres e cheios de vida. Fiquei um pouco assustado comigo mesmo por rir em vários momentos, com um certo espanto também, quando os personagens jogam nas caras uns dos outros verdades duras e cruéis. Enfim, essa peça é extraordinária, tanto no embate social quanto filosófico. Seguem abaixo algumas frases do livro que elucidam meu ponto de vista: "A vida quebra os homens, sem barulho, sem gritos, sem soluços, sem ninguém perceber..." "A decência exige que os homens mintam..." "Eu sou um homem um pouco estranho, não participo de acontecimentos terrenos... Vivo por pura curiosidade... Até que acho tudo isso bem interessante..." "Ser inteligente é bom, mas... sabe, para viver sem aborrecimento, é preciso inventar um pouco, tem que se saber olhar, é lógico que nem sempre, mas tem que se saber olhar pro futuro" Mãe Em Mãe vemos a essência do desejo de justiça que outrora nutriu a classe operária, o "alicerce do socialismo". "A vida acostumara as pessoas a uma pressão constante e de igual intensidade e, não acreditando numa mudança para melhor, achavam que qualquer transformação apenas aumentaria a dor. " No trecho acima percebemos qual era a visão do oprimido, o conformismo e a falta de qualquer esperança de uma boa mudança, e é aí que surge a personagem Pelaguéa Nilovna, a Mãe, que representa o despertar do povo submisso e explorado a partir do poder da palavra de seu filho Pavel Vlassov, com discursos que visam a liberdade e uma vida digna e justa. "Sei que tempo virá em que os homens amarão uns aos outros... Existirão na terra homens independentes, grandes por sua liberdade, de corações abertos, isentos de inveja ou de ódio." Por esse discurso de Andriucha, amigo e espécie de braço direito de Pavel, fica claro o que aspiravam, coisa que hoje em dia nos parece bastante distorcida, já que há muito mais orgulho e ódio do que ânsia de justiça e igualdade. Pra mim, em Mãe, Gorki pintou essa luta em cores suaves, sendo mais sutil na relação entre explorador e explorado. Mas ainda assim tem base bastante sólida da questão.

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