Seis Problemas para Dom Isidro Parodi - Duas Fantasias Memoráveis -

    Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares

    Biblioteca Azul
    2014
    185 páginas
    6h 10m
    ISBN-13: 9788525057228
    Português Brasileiro

    Tudo começou com um panfleto para uma fábrica de iogurte. Para atender a encomenda, os amigos se reuniram em uma casa de campo para escrever e começaram uma parceria que deu origem não apenas a livros, mas a dois autores. A Biblioteca Azul publica novas edições dos três volumes escritos por Borges e Bioy em uma colaboração tão íntima que criou um terceiro homem, o escritor H. Bustos Domecq e seu discípulo B. Suárez Lynch. O primeiro livro atribuído a Bustos Domecq nos apresenta Don Isidro Parodi, um astuto investigador encarcerado. A inteligência e habilidade do detetive são tais que Don Isidro é procurado pelos clientes em sua cela e ele é capaz de solucionar os casos a partir de depoimentos e pistas recolhidas em seus interrogatórios. Embora os Seis problemas para Dom Isidro Parodi sejam contos independentes, o conjunto revela o humor de Domecq e sua maestria na construção de tramas policiais. As histórias de Parodi figuram entre na lista Queen’s Quorum dos 125 melhores livros policiais de todos os tempos. As Duas fantasias memoráveis – “A testemunha” e “O sinal” – são relatos fantásticos. Nestes textos o “terceiro homem” faz referências a outro gênero literário caro aos amigos que criaram Domecq. O segundo volume traz Um modelo para a morte único texto assinado por B. Suárez Lynch, discípulo literário de Bustos Domecq. O conto é uma sátira de novelas policiais, misturando investigação rigorosa, exageros racionais e comentários aleatórios. Os roteiros de cinema Os suburbanos e O paraíso dos crentes são assinados pela dupla Borges e Bioy. O primeiro narra uma história de Julio Morales, que em sua jornada à procura de um homem de coragem, busca a si mesmo. O paraíso dos crentes faz uma incursão pelo lado obscuro de Buenos Aires enquanto parodia filmes de gângster. O terceiro livro é uma reunião de crônicas e contos de Bustos Domecq. A edição traz textos cronologicamente muito distantes entre si, uma vez que a parceria entre começou nos anos 1940 e perdurou por décadas. A compilação acompanha o amadurecimento do escritor inventado. Se os textos, de modo geral, são agudos, e de leitura ligeira, não há nada de inocente neles, pois Bioy e Borges usaram sua colaboração para abordar questões em comum, como a modernidade, a literatura e a língua espanhola. O escritor argentino Alan Pauls afirma que "amparados por um pseudônimo Borges e Bioy lançaram mão de elementos que não poderiam nunca figurar em suas obras individuais", como "o uso brutal da cultura popular, atrevimento e paixão rasteiras".

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    Aguinaldo Medici Severino27/02/2011Resenhou um livro
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    seis problemas

    Como definir o gênero destas histórias talvez seja um problema, mas eu prefiro contorná-lo chamando-as de contos de uma vez, poupando-me de outros aborrecimentos. São duas coletâneas de histórias na verdade, escritas a quatro mãos. Jorge Luis Borges, o Borges universal e sapientíssimo, que assombrou e assombra legiões de leitores pelo mundo, um dia associou-se a Adolfo Bioy Casares, o autor bem conhecido pelo curioso "A educação de Morel", e juntos engendraram vários ciclos de histórias nos anos 1940. Para mim elas enfeixam algo como um manual do que não fazer em um livro, pois se tratam de divertidas auto-paródias de textos pomposos, cheios de frases feitas, verborrágicos, enigmáticos e falsos como só os charlatães sabem produzir. Mas eles praticam o oposto da charlatanice, como aqueles mágicos que desvendam os truques dos colegas, já que estas histórias são na verdade sempre bem escritas, mordazes e até cruéis com o leitor desavisado, que teima em acompanhar ilações que são falsas desde o início. As citações são ecléticas: Conan Doyle, Poe, Wallace, Valéry, Wilde, L'Isle-Adam, Homero. Lê-se com enorme prazer, já que nada produzido por estes sujeitos é ruim, mas tantas mensagens cifradas, tanta erudição, tantas reviravoltas também cansam um tanto (a bem da verdade). Senti um desconforto com alguns termos utilizados na tradução, mas não tive tempo de checar os originais, talvez seja bobagem minha. Gostei mais da série de "Don Isidro Parodi", onde um apenado resolve crimes preso em sua cela nos subúrbios de Buenos Aires, apenas ouvindo queixosos e suspeitos. Já as "Duas fantasias memoráveis" são mais religiosas e fantasmagóricas, um tanto monótonas para meu gosto. De qualquer forma é um livro que lê-se sem medo, esperando um desfecho sempre surpreendente. Em algum ponto ele cita o "Vento Norte", caro aos santamarienses. Será que é o mesmo irmão de Zéfiro e Notos, de Bóreas e Euro? Há que se ler mais Borges para saber. "Seis problemas para don Isidro Parodi, Duas fantasias memoráveis", Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares, tradução de Maria Paulo Gurgel Ribeiro, editora Globo, 1a. edição (2008) brochura 14x21cm, 192 pág. ISBN: 978-85-250-4386-3

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