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    Solombra -

    Cecília Meireles, Cecília Meireles

    Nova Fronteira
    2005
    179 páginas
    5h 58m
    ISBN-10: 8520917496
    Português Brasileiro
    4
    112 avaliações
    Leram212Lendo4Querem87Relendo0Abandonos6Resenhas4
    Favoritos9Desejados87Avaliaram112

    Solombra, de 1963, é um livro curto, para ser lido de um só fôlego, mas que nos apresenta, evidentes, os mesmos questionamentos universais, as mesmas inquietações presentes em toda a obra da poeta. Nele não há limitação geográfica ou temporal, "tudo é no espaço - desprendido de lugares" e "tudo é no tempo - separado de ponteiros". O segundo livro deste volume é Sonhos, compilação de poemas escritos entre 1950 e 1963, reunidos pela primeira vez em 1974. Aqui a temática de Cecília é levada ao extremo. Sons, músicas e cores refletem uma percepção aaguçada do mundo: "Reparei que a poeria se misturava às nuves, / e, sem pôr o ouvido na terra, / senti a pressa dos que chegavam." Nestes sonhos, Cecília Meireles é "navegante que aborda o limite humano", que diz passear por fluidos países, consciente de presença da morte, mas, sobretudo da existência de outros caminhos noa quais "o passeio pode durar para sempre, / pode acabar agora mesmo, ao gorjeio de um pássaro, /a um raio de luz, e esse mundo a existir continua...". Mundo cujas fronteiras ela trata de esfumaçar em seus Poemas de Viagens, escritos ao longo de 24 anos e publicados em 1974. Embora os tpitulos destes poemas indiquem ela claramente os locais retratados, pouco importa ao leitor ser um grande conhecedor de rotas, de geografia. O que está em jogo aqui são impressões universais, ainda que do ponto de vista de um taxista do México, que "Com palavras quase eruditas / e olhares muito mexicanso, / (...) me disse que a tarde / devia ser das mais bonitas.". Não por acaso, uma poesia que nãi diz respeito a nenhum lugar em especial, "infelizmente, falharam as fotografias", é das mais representatvas desse movimento que Cecília empreendeu em seus Poemas de Viagens: "Mas as fotografias falharam. / E, aquele momento já fugiu para trás, no caminho do tempo, / Aquelas duas sombras foram ficando cada duas sombras foram ficando cada vez mais longe. / A compreensão que perdura, é sm retrato."

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    Júlia Macedo picture
    Júlia Macedo29/03/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Última obra de Cecília

    Ao ler a obra de Cecília, conseguimos observar que o contemporâneo está presente por apresentar uma reflexão que pode ser feita atualmente, e que ainda é muito presente nos dias de hoje, quando se questiona a morte, a existência e a relação dada entre elas, que pode deixar um vazio e um desejo de compreensão e reencontro que é universal, ainda que Solombra aborde isso em um tom metafórico. O livro, que é enigmático e profundo, pode ser lido ainda como uma libertação que acontece no fim da vida de Cecília, mostrando que as certezas vividas se tornam insuficientes para os questionamentos que perpassam a morte. O tema universal predominante na obra permite grandes identificações, reflexões e leituras, o que faz com que, apesar de não tão lida atualmente, Cecília permaneça presente e com grande relevância para a literatura brasileira ao falar sobre a efemeridade e a contemplação da vida, que é seguida de incertezas.

    7 curtidas

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    • 4 estrelas26%
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    Cecília Benevides de Carvalho Meireles profile picture

    Cecília Benevides de Carvalho Meireles

    Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil S.A., e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro. Foi a única sobrevivente dos quatros filhos do casal. O pai faleceu três meses antes do seu nascimento, e sua mãe quando ainda não tinha três anos. Criou-a, a partir de então, sua avó D. Jacinta Garcia Benevides. Estudou literatura, música, folclore e teoria educacional. Colaborou na imprensa carioca escrevendo sobre folclore. Atuou como jornalista em 1930 e 1931, publicou vários artigos sobre os problemas na educação. Fundou em 1934 a primeira biblioteca infantil no Rio de Janeiro. Cecília Meireles lecionou Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas, em 1940. Profere em Lisboa e Coimbra, conferência sobre Literatura Brasileira. Publica em Lisboa o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria. Em 1942 torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro. Realiza várias viagens aos Estados Unidos, Europa, Ásia e África, fazendo conferências sobre Literatura Educação e Folclore.

    108 Livros
    941 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Cecília Benevides de Carvalho Meireles