O subtítulo atraí. A sinopse é ousada. O resultado, porém, desaponta.
O autor desde o início avisa que seu conto é baseado livremente no personagem do famoso detetive, fato que eu teria sido capaz de entender. Contudo, ainda terminei a leitura com a sensação de ter sido vítima de uma propaganda enganosa.
Acredito que um personagem internado em um hospício pode acreditar ser Sherlock Holmes ou Harry Potter, mas se não houver semelhança alguma entre eles, então a história não é baseada em tal personagem. E, em 'Sanatório' não foi mostrado um grande poder de dedução ou raciocínio lógico por parte de Edson, nem nada que o caracterizasse como a suposta re-encarnação do personagem de Conan Doyle.
O nosso Sherlock do conto não apenas é incapaz de descobrir o assassino da história, como não faz nada a respeito, mesmo depois que percebe a verdadeira identidade do criminoso. Ao invés disso, ele paga por um crime que não cometeu — crime, aliás, que eu suspeito que não daria tanto tempo de pena, visto que ele é um paciente em uma instituição psiquiátrica, incapaz de responder plenamente por seus atos —, e sequer busca respostas mais tarde. O final é inconclusivo, deixa dúvidas e um gosto amargo de insatisfação.
Afinal, os motivos apresentados para o assassinato eram reais ou apenas uma invenção do criminoso? E se eram uma invenção, qual fora a verdadeira motivação? Como o crime aconteceu? O verdadeiro culpado nunca foi punido? Como ele foi capaz de armar um plano tão mirabolante, visto que foi apresentado como um incapacitado?
Com tudo isso, confesso ter ficado bastante decepcionada. A ideia era boa e promissora, mas poderia ter se saído muito melhor se não fosse a promessa do subtítulo ou da sinopse, criando um paralelo com um autor consagrado e seu personagem mais importante. Às vezes, é melhor não atrair leitores do que atrair os leitores errados. Quando se faz uma promessa grande é importante que ela se concretize, pois, caso contrário, será um ímã para críticas que, de outra forma, poderiam ter sido evitadas. Além disso, algumas explicações adicionais no final também seriam necessárias para amarrar as pontas e deixar o conto redondo. Infelizmente, para mim, não foi desta vez.