Nasce O Gigante Da Colina

    Pedro Venancio

    Maquinária Editora
    2014
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788562063534
    Português Brasileiro

    A saga de um time que revolucionou o futebol brasileiro, principalmente na luta contra o racismo e a discriminação social. Assim pode ser definido o livro Nasce o gigante da Colina que narra a história do Vasco da Gama, a partir do título carioca conquistado em 1923. Eram tempos em que o futebol ainda era por demais embranquecido e os jogadores negros tinham poucas oportunidades nos clubes de elite. Foi quando o Vasco montou uma equipe basicamente de negros, pobres e mulatos, sendo campeão da segunda divisão e em seguida também da primeira divisão. Foi um assombro na época, havendo muita resistência por parte dos demais clubes. Mas, logo o Vasco mostraria a sua vocação para ser grande, construindo, em 1927, o estádio São Januário, o maior do Brasil até então, e dando início à trajetória do Gigante da Colina.

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    Rafael Freitas13/01/2022Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    O gigantismo inicial

    O livro de Pedro Venancio narra as primeiras décadas do Club de Regatas Vasco da Gama, dando ênfase a primeira conquista do campeonato carioca em 1923 e a construção do estádio de São Januário, inaugurado em 1927. Para entender toda a dinâmica e a importância desses dois marcos na história do clube, o autor se volta ao contexto de introdução do esporte bretão na cidade do Rio de Janeiro. De um clube de remo criado por 62 homens ao futebol, foram alguns anos de caminhada, fazendo com que o Vasco largasse atrás de outras equipes tradicionais da cidade. Além disso, o Vasco da Gama era um clube fundado pelos imigrantes portugueses, que possuíam grande quantitativo na capital nacional de então. O preconceito com o português, tão estereotipado na época até os dias atuais, foi somado ao preconceito racial e social, pelo clube introduzir em sua equipe atletas negros, operários e pobres. Dentro de um futebol amador, onde a figura do “sportsman” e toda sua imagem moral estavam acima de qualquer coisa, as suspeitas de pagamento aos atletas do Vasco incomodaram os clubes da elite. Nesse sentido, os pagamentos realizados eram de certa forma a única forma de ingresso por parte dessa camada social no esporte em que amavam, além de ser uma prática comum em todos os clubes, o que exemplifica a postura hipócrita dos demais. É dentro desse contexto que o ódio ao clube dos imigrantes, negros e pobres se solidifica após a conquista do campeonato de 1923. A criação da AMEA, com diversas exigências para filiação, é uma prova viva de uma perseguição sem medidas ao clube que tentava quebrar o status quo. Dentro das medidas “restritivas”, 12 atletas tiveram seu desligamento solicitado pela AMEA em troca da aceitação do Vasco em seu quadro. O fato deu origem à “Resposta Histórica”, considerado por muitos vascaínos como o maior título do clube em toda a sua história, onde o presidente em exercício José Augusto Prestes, comunica a desistência de ingresso ao quadro da AMEA. Com o sucesso esportivo e de público (financeiro) do Vasco dentro do campeonato organizado pela LMDT em 1924, a AMEA não viu outro caminho que não fosse aceitar o ingresso do clube. O estádio se tornou uma barreira, mas com uma campanha iniciada em 1925 com doações de sócios e diversos eventos com rendas revestidas para a construção, o estádio Vasco da Gama, popularmente conhecido como São Januário, foi inaugurado em 1927, sendo o maior estádio do Brasil até à inauguração do Pacaembu em São Paulo em 1940. Sendo assim, a década de 20 do século XX se mostra como a década mais importante da história do clube. Além do primeiro título em campo, a década marca o combate ferrenho ao preconceito sofrido, sua postura firme perante à injustiça sofrida, sua Resposta Histórica e a campanha para construção de um estádio que combinava com o espectro de gigante que nascia. O Gigante da Colina.

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