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    Contos Fantásticos (L&PM Pocket) - O Horla & outras histórias

    Guy de Maupassant

    L&PM Pocket
    2005
    136 páginas
    4h 32m
    ISBN-10: 8525406392
    Português Brasileiro
    4
    664 avaliações
    Leram1067Lendo44Querem328Relendo3Abandonos8Resenhas44
    Favoritos45Desejados328Avaliaram664

    O fantástico enquanto gênero pressupõe uma incerteza entre o racional e o inexplicável, e está tão longe do sobrenatural quanto do científico. Nessa linha divisória cabe muito, como demonstra a habilidade e a imaginação de um contista de estilo tão enxuto como Maupassant. O estranho e suas conseqüências perturbadoras são comuns nesses contos. O lobo , por exemplo, nada tem de sobrenatural, mas um irmão mostrando ao cadáver de outro sua vingança é cena memorável. O magnetismo disfarça com cinismo o inexplicável; Aparição , em sua crueza, é quase terror, O medo é uma das melhores definições dessa emoção, e os contos sobre o invisível Horla alcançam um perfeito equilíbrio entre o psicológico, o fantástico e o científico: Todas as lendas (...) era dele que falavam, era ele que o homem inquieto e trêmulo já pressentia" ==== [Os Contos]: "O Lobo" "Magnetismo" "O Medo" "Aparição" "A Mãe dos Monstros" "Carta de um Louco" "Um Caso de Divórcio" "O Horla (primeira versão)" "O Horla (segunda versão)" "A Morta" "O Homem de Marte"

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    L.F. Riesemberg24/11/2009Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Clássico

    “Eu quase cheguei a acreditar”. Eis a afirmação que resume muito bem os contos fantásticos tradicionais, produzidos no século XIX, dos quais o francês Guy de Maupassant é um dos maiores expoentes. Nesta coletânea Contos Fantásticos – O Horla e outras histórias (L&PM Pocket, vol. 24) podemos ler alguns dos melhores exemplares deste estilo de narrativa, escritos por um mestre das palavras que foi discípulo de outro grande mestre: Gustave Flaubert. Assim como vários outros escritores de histórias góticas e sobrenaturais da época, Maupassant teve uma existência breve e atribulada. Toda sua obra — de mais de trezentos contos, alguns romances e peças de teatro — foi produzida em apenas dez anos, e ele teve uma morte prematura, aos 43, internado em um manicômio. Hoje ele é tido como um dos maiores contistas de todos os tempos, e não escreveu apenas histórias fantásticas. Tanto que um de seus maiores sucessos é o conto Bola de Sebo, que eu tenho certeza que inspirou Chico Buarque a escrever a canção Geni e o Zepelin. Ok, mas hoje estamos aqui para falar de histórias de terror, e mais especificamente as deste livro de bolso, facilmente encontrado nas lojas. Conforme o título destaca, a obra inclui O Horla, um dos textos mais celebrados da literatura fantástica mundial. E aqui constam as duas versões escritas por Maupassant: a primeira, linear, em que o caso é narrado posteriormente; e a segunda (e superior), em que acompanhamos o diário do protagonista e nos mantemos muito mais próximos dos fatos — o que aumenta o tom de urgência da trama, mostrando de perto a descida rumo à insanidade de um homem que se acredita vampirizado por uma criatura invisível que teria chegado a bordo de um navio brasileiro. Além de toda a sofisticação da linguagem de Maupassant, este conto é um clássico porque, exatamente 10 anos antes do lançamento de Drácula, apresentou um monstro terrível, que tem a assustadora vantagem de nunca se mostrar para a vítima. Imagine ter sua casa invadida por uma entidade maléfica que não é um espírito, mas algo tangível, e que te atormenta de modo que você vai enlouquecendo e não consegue ter certeza se aquilo é real ou alucinação. Pelas minhas pesquisas, descobri que o conto é citado como inspiração para O Chamado de Cthulhu, de H.P. Lovecraft. Mas nem só de horlas vivem os contos fantásticos de Maupassant. Na coletânea há ainda muita coisa boa, e quase tudo gira em torno dessa atmosfera de dúvida que ronda os personagens e o leitor: afinal, aquilo aconteceu ou foi tudo um mal entendido? Por exemplo, em histórias como O Lobo e Aparição, os relatos tanto podem ser interpretados como de fatos sobrenaturais, como de uma espécie de alucinação momentânea causada pelo medo. A Mãe dos Monstros já é uma história com aquele terror real, sobre uma mulher que vive de deformar os filhos no próprio ventre, para criar aberrações e vendê-las a circos. Esta talvez seja uma das mais interessante do livro, que também traz, ainda que apenas sugestivamente, mortos saindo das covas (A Morta) e extraterrestres (O Homem de Marte). Os contos fantásticos de Guy de Maupassant obviamente não contêm cenas sangrentas de demônios arrancando as vísceras das vítimas e coisas do tipo. Trata-se de literatura de classe, de alta qualidade, que pode até não ter nada de sobrenatural conforme a interpretação do leitor, mas que fará até mesmo o mais cético ficar em dúvida e (por que não?), sentir calafrios pela espinha. L.F. Riesemberg

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    Henry René Albert Guy de Maupassant

    Henry René Albert Guy de Maupassant foi um escritor e poeta francês com predileção para situações psicológicas e de crítica social com técnica naturalista. Foi amigo de Gustave Flaubert. Além de romances e peças de teatro, Maupassant deixou 300 contos, todos obras de grande valor. Merecem destaque, entre os mais famosos Bel Ami, Mademoiselle Fifi e Bola de sebo. "A Pensão Tellier" e "O Horla" podem ser considerados seus contos mais significativos. Faleceu no manicômio pouco antes de completar 43 anos, após tentativa de suicídio originada de perturbações causadas pela sífilis que o atormentou por mais de uma década. Foi enterrado no cemitério de Montparnasse. Foi um influente escritor europeu, trazendo em sua bagagem de seguidores o escritor irlandês James Joyce.

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    Henry René Albert Guy de Maupassant