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    Acertos Abolicionistas: A vez dos Animais - Crítica à Moralidade Especista

    Sônia T. Felipe

    Ecoânima
    2014
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788591409228
    Português Brasileiro
    4.8
    9 avaliações
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    Acertos abolicionistas é uma crítica às ações humanas que afetam dolorosa e mortalmente os animais de outras espécies. Por conta de nossa deficiência moral (kakothymía), fazemos aos animais o que em nossos tratados de ética e em nossas teorias da justiça não admitimos que nos seja feito. De forma interdisciplinar e transversal, Acertos abolicionistas critica a moralidade especista e oferece o mapa das vias pelas quais é possível desassinar tal contrato, para que os animais, sem discriminação especista, possam prosseguir sua viagem terráquea pela galáxia, iluminados pelo mesmo sol, até que a morte natural, não a infligida pela mão humana, os separe. Acertos abolicionistas: a vez dos animais versa sobre Especismo, Senciência, Somatofobia, Abolicionismo, Dietética, Kakothymía e Ética, ampliando o círculo moral para incluir nele os animais não humanos. São ensaios atentos à dor, ao sofrimento, ao aprisionamento e ao abate dos animais consumidos pela díaita humana; à devastação ambiental causada pela produção para o abate anual mundial de 56 bilhões de animais; e às questões da saúde e vitalidade implicadas na dieta abolicionista vegana. Os textos expõem criticamente o especismo, invisível e silenciado em sua parceria com o racismo e o machismo. Ele afeta mortalmente os animais abatidos para consumo, vivissecção, exposição diversão, tração, exibição, moda, cosméticos e perfumaria, e os usados para companhia, estima e guarda, abandonados quando perdem sua utilidade para os humanos. A ética tradicional vingou no Ocidente, desde sua gênese na Grécia, fundada sobre o antropocentrismo especista. Os humanos colocaram-se no topo de uma pirâmide moral, autorizando-se a fazer aos outros animais o que não admitem que lhes seja feito: aprisionar, violar sexualmente, forçar a reprodução, atrofiar seu espírito específico, manejar sua comida, escravizar, enfim, privar os animais das liberdades naturais e da autonomia prática, inerentes à vida animada. Acertos abolicionistas desnuda a moral tradicional especista e mostra o preconceito que permeia nossa interação com a maior parte das espécies animais, variando do apego eletivo a alguns indivíduos de certas espécies, usados para estima, companhia, guarda e tração, ao mais absoluto descaso pela vida de outros, igualmente usados na alimentação, vivissecção, diversão, tração, exposição e defesa. Nenhuma espécie animal escapa à kakothymía, essa perturbação das faculdades morais que leva à violência somatofóbica especista, matriz cognitiva, afetiva e emocional que rege muitas das interações destrutivas também entre humanos. Superar o especismo que arrasta em sua correnteza, para a dor e a morte, os animais usados pelos humanos, é desafio que os artigos de opinião reunidos em Acertos abolicionistas apresentam. É um acerto de contas com a imperfeição e a ruindade que ainda nos formatam e uma tentativa de acertar na elaboração de uma ética animalista genuína.

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    Dandara Luigi25/09/2017Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O que todo mundo já sabe, basta abrir os olhos para ver.

    Ao longo dessa semana li meu primeiro livro sobre o veganismo (não me pergunte por que só agora, depois de 1 ano e 6 meses como vegana). Então aqui vão algumas reflexões: "[...] Todos os animais tem a capacidade de percepção dos estímulos dolorosos e prazerosos que afetam seus organismos, todos os animais tem memória emocional. A senciência, portanto, não é privilégio dos humanos. Isso ficou definido na Declaração de Cambridge sobre a Consciência Humana e Animal, em julho de 2012 na Inglaterra, e assinada por renomados cientistas da neurociência, na presença do físico Stephen Hawkins. Então, imaginemos que nascemos com a mente humana em um corpo de animal não humano, portanto não temos a capacidade de nos expressar com a mesma línguagem que os humanos, logo, somos tratados como sendo indignos de valor, respeito ou consideração, somos por isso inferiores: essa é a moral especista." Vamos nos colocar no lugar dos animais! Imaginemos outra situação: somos vacas, não gostaríamos de ser estrupadas e forçadas a uma gestação só para produzirmos leite pros humanos que não necessitam dele, apenas estão viciados nele, certo? Outra situação, se formos comparar o tempo de vida de cada animal comido pelos humanos, com bebês humanos, seria mais ou menos assim: um bezerro é assassinado depois de 18 meses de vida, equivalente a uma criança humana de 6 á 7 anos; o porco é assassinado depois de 140 dias, equivalente a uma criança de 3 anos de idade; uma galinha é assasinada depois de um mês de vida, o que equivale a um bebê de cinco meses, e os três poderiam viver até 30, 12 e 20 anos, respectivamente. "[...] No Brasil, são mortos por ano 5 bilhões de animais, quase 14 milhões por dia. No mundo, passa de 153 milhões de animais mortos por dia. [...] A ONU alertou, em um relatório em março de 2010, que não haverá florestas para serem derrubadas, nem terras para serem cultivadas e, especialmente água para ser dada ao animais, para continuar a alimentar a espécie humana com a atual dieta animalizada. A única dieta que garante o futuro da vida no planeta é a dieta abolicionista vegana. Se o mundo não se tornar vegano, o planeta vai colapsar." Assim como afirmou Sartre: não importa o que fizeram com a tua consciência enquanto não tinhas condições de perceber o que faziam contigo, o que importa é o que farás de ti a partir desse momento.

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    Sônia T. Felipe

    Sônia Teresinha Felipe é doutora em filosofia moral e teoria política pela Universidade de Konstanz, Alemanha, professora da graduação e pós-graduação em filosofia, e do doutorado interdisciplinar em ciências humanas da Universidade Federal de Santa Catarina, orienta dissertações e teses nas áreas de teorias da justiça, ética animal e ética ambiental.

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    11 Seguidores

    Sônia T. Felipe