O Caso Wagner (O Essencial de Nietzsche #03) -

    Friedrich Wilhelm Nietzsche

    Escala
    2013
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 7897763461505
    Português Brasileiro

    Uma das mais intrigantes obras escritas por Nietzsche, que revela um autor com admirável conhecimento da arte expressa pela música e que sabe estabelecer harmoniosos e impensáveis elos entre ciência e arte, pensamento filosófico e expressão artística, vida e arte, arte de viver e arte de representar e cantar a vida. Formada por três textos, mostra o forte laço de amizade que uniu o filósofo a Wagner e narra, minuciosamente, a ruptura entre eles nos dois primeiros textos.

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    Alexandre Kovacs06/02/2011Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Friedrich Nietzsch - O caso Wagner

    Editora Companhia das Letras - 117 páginas - Tradução, Notas e Posfácio de Paulo César de Souza. Um livro muito interessante e normalmente ofuscado pelo restante da bibliografia de Friedrich Nietzsche (1844 - 1900), onde o brilhantismo e cultura do filósofo alemão podem ser apreciados em toda a sua forma, concordando-se ou não com suas polêmicas opiniões. Esta é uma crítica implacável à música de seu conterrâneo e contemporâneo Richard Wagner (1813 - 1883), segundo Nietzsche um artista da décadence que torna doente aquilo que toca: "Eis o ponto de vista que destaco: a arte de Wagner é doente. Os problemas que ele põe no palco - todos problemas de histéricos, a natureza convulsiva dos seus afetos, sua sensibilidade exacerbada, seu gosto, que exigia temperos sempre mais picantes, sua instabilidade, que ele travestiu em princípios, e, não menos importante, a escolha de seus heróis e heroínas, considerados como tipos psicológicos (uma galeria de doentes!): tudo isso representa um caso clínico que não deixa dúvidas, Wagner é uma neurose". Se não bastasse o trecho destacado acima, Nietszche acusa Wagner de artificialismo e, neste ponto, não posso deixar de identificar semelhanças com alguns músicos de nossa época, vejam se não é o caso: "O músico agora se faz ator, sua arte se transforma cada vez mais num talento para mentir (...) essa metamorfose geral da arte em histrionismo é uma expressão de degenerescência fisiológica (mais precisamente, uma forma de histerismo)". Continuando nesta linha de raciocínio, Nietszche não poupa nem mesmo o grande romancista Victor Hugo, como nesta parte: "É uma coisa evidente: o grande sucesso, o sucesso de massa, não está mais com os autênticos - é preciso ser ator para obtê-lo! - Victor Hugo e Richard Wagner - eles significam a mesma coisa: que em culturas em declínio, onde quer que as massas tenham a decisão, a autenticidade se torna supérflua, desvantajosa, inconveniente. Apenas o ator ainda desperta o grande entusiasmo" (e aqui novamente vejo uma transposição total deste pensamento para a nossa música contemporânea). O posfácio de Paulo César de Souza, incluindo entrevista a Curt Paul Janz, autor de uma das maiores biografias de Nietszche, esclarece um ponto pouco divulgado da biografia do filósofo: ele próprio foi um músico e publicou somente uma peça musical em vida, mas, como afirma Paulo César de Souza, seria demais querer que ele fosse um gênio também nesta arte.

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